quinta-feira, 11 de março de 2010

MORTE + SUSPEITO = FATALIDADE

Ao escrever essa postagem, fico bastante pensativo, com medo e impressionado sobre o que houve.

Hoje, assim que saí do trabalho, no horário de almoço, fui imprimir algumas coisas na loja de um amigo – do Chiquin. Ao chegar lá, fiz o de sempre: tomei posse do PC dele e comecei a imprimir as minhas coisas. Até aí tudo bem...

Além dele, estavam outros dois amigos dele que não conheço. Conversa vai, conversa vem, escutei eles comentando sobre o amigo de meu irmão que há dias tinha desaparecido. Eu havia até ouvido burburinhos na rua - ou até mesmo em casa -, mas não dei muita atenção, visto que esse sumiço do amigo do meu irmão era frequente. Lembro até que, por duas vezes, uma tia dele já foi, pela manhã bem cedo, em casa saber se ele estava, mas não estava.

Continuando... Ao escutar o Chiquin falando de tudo aquilo, comecei a me tocar que toda historia era verdade, pois o recente sumiço que era pra ser curto, ultrapassou dias, semanas e até mês, já que o mesmo tinha sumido no dia 1 de fevereiro; além de fazer muito tempo que não o via passar em casa, já que era frequentador. O Chiquin ficou impressionado porque eu não sabia dessa historia e logo fui direto ao ponto: Mas, Chiquin, ele morreu? – disse. E o chiquin me deu uma resposta meio indecisa. Ele comentou que não sabia, pois há dias foi encontrado um corpo em estado de decomposição próximo a um estádio. Me disse também que esse corpo estava sendo averiguado no IML e que em breve divulgariam o resultado, pois também circulava pela cidade o boato de que uma menina também havia desaparecido no mesmo tempo.

A conversa foi encerrada quando saí de lá, mas continuou corroendo em minha cabeça.

Então, assim que cheguei em casa pro almoço, comecei a conversar com meu irmão – o Dayson - sobre o assunto. Eu perguntei se o amigo dele já tinha sido encontrado e ele respondeu sério que ainda não. E eu continuei a interrogá-lo. Perguntei a ultima vez em que eles se falaram, e o meu irmão respondeu que fazia muito tempo, até me contou como que foi e onde foi. Por fim, ele comentou comigo sobre o suposto corpo encontrado próximo ao estádio, e eu perguntei se seria ele, e meu irmão respondeu que não sabia. Por fim, disse a ele que se acontecesse isso, de algum amigo meu sumisse, ou até mesmo morresse, eu não ia ficar frio como ele estava. Certamente eu ficaria desesperado e procuraria me informar sobre tudo para enfim, ter alguma conclusão.

Terminado o assunto, fui almoçar, enquanto meu irmão foi ver a TV. Quando terminei de almoçar e fui ao meu quarto, ele disse que no próximo bloco do programa local iria passar, de fato, quem era o corpo encontrado.

Tudo ficou tenso quando o bloco começou. Após a primeira reportagem, o apresentador começou a contar a historia do acontecido. Falou tudo que, até então, eu já sabia. Ele falou que o corpo encontrado PODERIA, ou seja, estava suspeitando, que seria do Jefferson, o dito-cujo amigo do meu irmão, pelo fato de seu sumiço. As evidencias do fato ficaram mais claras quando ele falou que poderia ser dele, pois a menina que havia sumido já tinha sido encontrada.

Ao falar do amigo do meu irmão, o apresentador mostrou na tela uma foto 3x4 dele, com uma camisa laranja – que lembro já o visto usando algumas vezes. Em seguida, mostrou alguém – não lembro se era o próprio apresentador – tirando de dentro de um saco de lixo azul os restos mortais.

Acompanhado de máscara e luva, ele jogou tudo no chão, mostrando para todos como ele estava. Estava sendo difícil de entender algumas partes dos ossos, mas a mandíbula e a arcada dentaria davam para ser claramente percebidas. Mostrou também o resto das roupas que estava muito difícil de entender as cores, mas a camisa mostrava ser de marca, marca pelo qual, no momento que viu, meu irmão retrucou: “É a camisa da Sallo! É a camisa dele!” e seus olhos começaram a brilhar, se segurando fortemente para que a lágrima não caísse. Ao ver essa cena, fiquei do mesmo jeito, só que um pouco mais, já que sou mais emotivo que ele.

O apresentador mencionou que ele poderia ter sido morto enforcado, o que deixaram as minhas evidencias mais próximas, pois meu irmão disse num tom baixo e devagar: “Não acredito não!”. Rápido, ao ouvir aquilo, perguntei ao meu irmão se alguma vez ele comentou sobre isso, e meu irmão respondeu que sim.

Nessa hora, fiquei mais tenso ainda. Parecia que o tempo parava pra mim, que só eu e a TV existia no momento. Fico bastante triste sobre o ocorrido, porém um pouco arrependido também. Eu achava esse amigo do meu irmão gente boa e às vezes pensava até em me entrosar. Mas não deu, o tempo foi curto pra ele, e pra mim também, pois devido meu orgulho e minha timidez não soube aproveitar as poucas e raras vezes em que ele falava comigo. Mas não, certamente isso aconteceu porque era pra eu não ficar pior do que já estou.

Nossa, é incrível como são as coisas, ele se dava muito bem como o meu irmão, parecia ser tímido, mas ao mesmo tempo moleque, parecia ser engraçado, mas algo do nada se escondia e mostrava a sua seriedade. Ele levava vídeo game lá em casa pra ficar jogando com meu irmão, eles saiam juntos, iam à locadora e passavam madrugadas em claro na calçada conversando.

Realmente, se isso acontecesse comigo nem saberia o que faria diante de algo tão claro e de algum conhecido. O pior é que não se sabe como, nem com quem ele estava; tampouco sabem se suicidou ou o mataram. Mas por quê? Até onde sei, ele não recebia nenhuma ameaça, ele nem sequer mexia com uma mosca.

Juro, continuo impressionado. Embora seja óbvio, espero que ainda há esperanças.

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