terça-feira, 18 de agosto de 2026

3.6

A vontade de vir aqui era grande, mas só agora que encontrei um tempinho. 🙃

Isso não é uma reclamação, mas o meu trabalho tem me consumido muito. Neste mês de agosto voltei pro meu horário normal... Quer dizer, "horário normal". Voltei a trabalhar das 14h às 22h, sem pausa. Aqui e acolá como uma coisinha e, como minha casa é próxima do trabalho, venho aqui rapidão comer. Apesar de já passarem 3 meses, ainda estou me adaptando às coisas daqui.

Mas vamos pro que interessa, o meu aniversário.

Passei duas semanas antes bolando como seria a minha festa de aniversário nos stories. Como assim? Como hobby, há alguns anos criei uma forma de comemorar o meu dia com todos. Não gosto apenas de repostar coisas nos stories, então crio todo um layout e, claro, baseado em um tema. Nesse ano, escolhi o tema Windows 98. Todos sabem que eu sou um cara que ama o passado - mas que vive no/pro futuro, claro. Então, por que não? Anotava as ideias que eu tinha e cada vez mais apareciam outras. Queria algo bem retrô, com poucas cores e nada de 3D; algo que tivesse muito pixel e muito som característico. Me divirto em todo esse processo de criar e quem me tem no Instagram, deixei o resultado lá nos destaques. Mas vou deixar uns aqui abaixo:



Meu aniversário neste ano foi, obviamente, diferente de todos os outros. Eu sempre tinha folga de aniversário, então viajava pra algum lugar. Neste ano, além de estar no lugar onde eu viajava, ainda estava trabalhando. Meu aniversário foi na quarta (05) e, por mais que eu tenha pedido folga - o não eu já tinha, né! -, não consegui. Não reclamei. Eu só queria me sentir bem nesse dia. Realmente não teria como eu faltar nesse dia, pois era o retorno dos alunos pro segundo semestre.

Na terça (04), Pedro, Dalton e B. foram me buscar no trabalho. Nesse dia eu consegui sair um pouquinho mais de 22h. Eu juro que não esperava que eles fossem me receber com um bolo dentro do carro - e feito pelo próprio Dalton -, cheio de muito coco e sem glúten. Eles cantaram os parabéns ali com gritos no final dentro do carro, foi muito engraçado. De lá, fomos jantar comida em uma praça do meu bairro e seguimos pra casa esperar a virada.

Eles entraram em casa com muitas sacolas e já foram se organizando. Levaram a mesa da cozinha pra sala, encheram balões verdes e brancos, colocaram os bolos, as sacolas de presentes e montaram tipo um cenário pra eu comemorar e registrar. Tudo ficou pronto em poucos minutos enquanto eu tomava banho. Pedro e Dalton me presentearam com canecas e quadros de parede do Doug que também podem ser porta-retratos, que fizeram parte do cenário. B. me deu camisas e sabonetes - que eu tenho amado ganhar. Ganhei também um "porta temperos" (posso chamar assim?) que eu namorei desde o primeiro dia que comecei a montar a casa onde eu estou.

Ficamos conversando à toa no tapete da sala esperando a hora da virada.

Quando foi próximo da meia-noite, eles acenderam a vela, cantamos os parabéns bem baixinho pra não acordar a vizinhança, e ficamos ali, comendo e conversando.

Estar com eles foi muito importante pra mim, por mais simples que fosse aquele momento. Percebi nos últimos tempos que o meu aniversário passou a ser importante, sim. Antes eu só queria estar longe de tudo e de todos, viajando e sem comemoração, mas dessa vez vi o quanto é importante ser querido. E isso eu fui.

Eles ficaram comigo até quase 1h e depois fomos deixar eles em casa. Cansados, dormimos.

Às 14h do meu dia, cheguei no trabalho calado, até que o Glyson, como sempre faz quando chego, gritou: "Ôh de fora!". E eu "Boa tarde!" - geralmente com ele eu grito um breve "nháh!", mas como sabia que tinha gente lá, dei boa tarde - rs. Quando sentei na minha cadeira, as pessoas começaram a surgir cantando os parabéns. Senti que fiquei meio sem graça, mas, pô, era o meu aniversário. Eu não queria registrar aquilo apenas na minha memória, então, saquei o celular pra fora do bolso, dei o REC (que expressão de tio, né?! - rs) e registrei o momento. Eu fiquei muito feliz com os abraços que recebi após ter desligado a câmera.

À tarde continuou sendo normal de rotina de trabalho. Nesse dia, não quis ir com roupa de trabalho, então coloquei uma roupa que me deixasse confortável e que demonstrasse realmente quem eu sou, a minha essência, que acho que muitos ainda não conseguiram me ver fora do trabalho. Pra que não ficasse confuso com os alunos, usei o crachá, como tenho feito, pois, como estou há apenas 3 meses trabalhando, ainda não tenho uniforme.

No começo da noite, para a acolhida dos alunos, um grupo de pagode (ainda se chama assim, "grupo"!?) foi contratado. Enquanto eles ficam no centro, ao redor os alunos transitavam e se deliciavam com um espetinho de frutas sendo banhado em uma cascata de chocolate. Não comi muito, mas estava delicioso.

Ainda ali, organizando tudo e atento quando precisassem de mim, o cantor do pagode começou a falar que hoje era um dia especial, que uma pessoa muito importante estava aniversariando e... eu fiquei morto de vergonha. Quando dei por mim, me chamaram para o centro e começaram a cantar os parabéns em ritmo de pagode. Por fora eu morria de vergonha, mas por dentro eu me sentia feliz. Há muitos anos que um grande número de pessoas se viravam pra me parabenizar.

Fui liberado mais cedo e vim pra casa aproveitar o resto do dia que me faltava.

Foi um dia rápido, mas foi incrível viver isso tudo aqui. Ganhei, inclusive, coisinhas de casa que me deixaram mais feliz ainda. Não tenho realmente palavras pra agradecer a Deus por essa minha nova fase e por estar dando tudo certo.

Vou encerrar esse post com a mensagem que mais me deixou feliz, quando já havia passado de meia-noite, começando o meu dia.

Morro de saudades do meu Doo. 🥹💙🩶

segunda-feira, 13 de julho de 2026

A SAUDADE TEM ROSTO

Agora há pouco desabafei chorando no dix e resolvi registrar aqui também. Pra quem não sabe, dix, segundo a IA, é "uma gíria da Geração Z para um perfil privado alternativo no Instagram. Derivado da expressão 'para deixar', funciona como um espaço íntimo e seguro onde jovens compartilham desabafos e momentos espontâneos apenas com um grupo muito seleto de amigos próximos." 😉

Neste mês de julho vou ter que trabalhar em algumas cidades vizinhas daqui. Para os deslocamentos, precisamos utilizar as famosas "topiques" (assim chamam as vans daqui). Hoje, assim como dias atrás, também precisei pegar uma delas.

No sábado, quase 7h, fui para o ponto das topiques para ir a Ubajara, cidade a uns 20 minutos daqui. O trabalho foi até às 10h e foi bem divertido. Ao "encerrar o expediente", acabei ficando por Ubajara mesmo. O restante do pessoal do meu trabalho voltou pra Tianguá. Aproveitei essa oportunidade pra ficar um pouco mais com o B. no final de semana e até fomos pro Parque Nacional no domingo pela manhã. 

Hoje, cedo, estava certo de irmos a outra cidade, um pouco mais distante, mas ainda vizinha daqui: São Benedito. Acordamos cedo. Glyson e Conceição pegaram a topique em Tianguá, me enviaram o número, a placa e outras informações pra eu ficar atento e entrar no mesmo transporte deles. Enquanto acompanhava a localização em tempo real que o Glyson me enviou pelo WhatsApp, aconteceu algo.

Estava encostado em uma coluna da farmácia da esquina quando uma criança, de camisa, calça e chinela, aparentando ter uns 10 anos, parou na minha frente, só que de costas. Parecia meio desconfiada, olhando pra um lado e pro outro. Eu, com os fones de ouvido no volume máximo e o celular na mão, com medo de alguma investida, coloquei rapidamente o celular dentro do bolso. Não que isso seja algum tipo de preconceito, mas posso explicar: em uma viagem ao RJ, quase fui assaltado por uma criança, e isso acabou me deixando meio traumatizado.

A criança, sem olhar pra mim, começou a falar. Pausei o fone de ouvido dando um clique no lado direito e entendi da metade da frase pra frente: "...trocado pra eu merendar?" Como, pra bom entendedor, meia palavra basta, entendi o recado. Ele estava pedindo dinheiro pra poder comer, ali, quase 7h da manhã. No automático, respondi que não tinha - mas realmente não tinha dinheiro em espécie, pois há muitos anos nem carteira eu ando mais levando, com a facilidade do Pix e dos documentos no celular.

Do lado havia uma quitanda. Não sei como definir uma quitanda hoje em dia, mas digo que lá tinha biscoitos, pães, refrigerante, pastéis... Levei o menino pra lá. Entrando, o senhor estava fritando pastéis no fundo do estabelecimento. Bati palmas pra chamar sua atenção. Logo ele veio, e falei: "O senhor pode dar um pastel e um guaraná pra esse rapaz?" O menino logo disse: "Tem pastel de quê?" Não lembro exatamente o que o senhor respondeu, mas pegou o pastel e entregou nas mãos da criança. Pedi novamente que ele entregasse o guaraná também, e logo foi buscar no freezer.

O menino sentou em uma cadeira de madeira em frente à TV que estava logo no alto da parede, juntou as pernas e as apoiou no apoio para os pés da cadeira, abriu o refrigerante, mordeu o pastel e tomou um gole. Enquanto isso, eu pagava aquele lanche. Ao sair, passei na frente dele. Ele confirmou com a cabeça e sorriu. Sorri de volta. Eu fiz aquele menino feliz naquele momento.

Assim que coloquei o pé pra fora da quitanda, veio de dentro de mim uma força tão grande que não sabia explicar. Sò foi o tempo de chegar à mesma coluna da farmácia da esquina e comecei a chorar. Há muito tempo eu não chorava assim, de dentro, sem ter esse controle. Ao mesmo tempo em que meus olhos não paravam de criar lágrimas, eu tentava limpá-las com as mangas do meu casaco. Inclusive, enquanto digito isso, revivo a cena e volto a chorar. 😢 Naquele momento, lembrei do Eduardo, meu sobrinho. Parecia ele ali. Acho que foi a saudade que ligou esses fatos, e eu desabei em choro.

Baixei a cabeça, mas percebi que as poucas pessoas que passavam ali na minha frente observavam esse meu "surto". Eu sentia vergonha, mas ninguém me conhecia. Eu não podia fugir.

Ainda ali, mandei mensagem pro B. contando a situação e mostrando minha cara, tirando uma selfie em visualização única. Tenho certeza de que eu estava vermelho, pois era como se todo o meu corpo quisesse gritar. Com os olhos embaçados, não consegui ver realmente a foto que enviei: foi abrir a câmera, clicar, colocar em visualização única e enviar, tudo em frações de segundos. Também mandei mensagem pra um grupo que tenho com Giovanna, Karen e Jessica e mostrei a mesma coisa. Eu precisava descarregar aquele sentimento naquele momento. Era um desabafo.

Poucos minutos depois a topique chegou. Limpei as lágrimas e tentei engolir aquele choro pra ninguém perceber, mas nem tinha como. Aos poucos, vendo a paisagem e a neblina na estrada, fui esquecendo e me recompondo.

Não sei se um dia vou ver esse menino novamente, mas sei que, mesmo que ele esqueça esse dia, eu nunca vou esquecer.

👦🏻🩷

terça-feira, 7 de julho de 2026

PRIMEIRO SALÁRIO, PRIMEIRAS ESCOLHAS

Hoje recebi o primeiro salário completo do trabalho novo - já que havia recebido apenas os dias trabalhados - e o pensamento que me veio foi: será que vou ficar com alguma coisa até o próximo pagamento? 🤔

Sou uma pessoa ansiosa e preciso filtrar o que preciso mais do que nunca. A prioridade é a comida, claro, já que comer todos os dias fora se torna bem mais caro. No domingo, B. me doou algumas coisas da casa dele: três pedaços de bolo de laranja, dois pães massa fina, duas cenouras, o restinho da panqueca de frango que ele fez no almoço, um pacote de biscoito salgado sabor presunto, uma cabeçona de alho e a metade de um saco de arroz parboilizado - que há muito tempo eu não comia. E isso me salvou até hoje, terça-feira.

Na manhã de segunda, o meu café da manhã foram esses dois pedaços de bolo com um suquinho de maracujá de pacote. No almoço, refoguei o alho e a cebola e fiz um arroz que, modéstia à parte, por mais simples que seja, ficou delicioso, acompanhado da metade das panquecas de frango. Na janta, assei os dois pães com manteiga e voltei a tomar o suquinho de maracujá. E, claro, agradecendo sempre a Deus pela comida. 🙏🏻

Hoje pela manhã não tomei café em casa porque acabei me atrasando um pouco. Se eu fizesse algo para comer, chegaria um pouco mais atrasado, então preferi não fazer. Cheguei ao trabalho exatamente às 7h59, mesmo passando antes em um comércio próximo de esquina e comprando três "pães tripas" (achei engraçado esse "tripa" - rs) e um chocolate de caixinha.

Inclusive, por falar no pão, vi uma situação que me deixou com ódio e, ao mesmo tempo, nojo. No comércio, os pães ficam na bancada cobertos por um papel e alguns sacos e, quando pedimos, o senhor coloca a mão dentro de uma sacola, pergunta qual eu prefiro e depois coloca os pães em outra sacola. Qualquer pão ali, para mim, era pão, então respondi que tanto fazia, e ele pegou três que estavam grudadinhos. Ok, sem problema.

Enquanto coloquei o celular para fora para efetuar o pagamento, uma senhora começou a escolher com as mãos o melhor pão para ela levar. Escolheu com as mãos, sem proteção!!! Tipo, pegando, colocando para o lado, pegando um de baixo, olhando, colocando de volta... Mermão, pra quê isso? 😠 O olho existe pra quê? Vi que o senhor comerciante ficou constrangido, mas fingi que não vi nada, paguei e saí. Como pode, hein!?

No almoço de hoje, vim correndo para casa e, como não teria apenas uma hora para retornar, fiquei mais tranquilo para elaborar a comida. Cortei uma cenoura em rodelas e depois cortei as rodelas ao meio; refoguei, na margarina, o alho e a cebola; depois joguei a cenoura e, por último, o arroz. Quando o arroz estava quase enxuto, coloquei o resto das panquecas em cima dele para esquentar e aguardei. Eu não costumo gostar tanto da minha comida, mas, mais uma vez, ficou divina! Não aguentei, comi tu-do! (Amanhã vou descontar correndo e caminhando, prometo.) A janta ficou por conta de dois pães, com um ovo dividido entre eles, e água mesmo. E assim vou levando. São exatamente 22h e o pão não deu jeito, estou com fome e querendo cair na tentação de descer e comer um pastel aqui próximo... 😬 Não vou! Não posso!

Essa semana preciso fazer as compras. Já fiz uma lista do que preciso comprar para comer e, confesso, não vejo a hora de encher a minha geladeira, que no momento só tem margarina e dois litros de água. KKKKKK Vai dar certo. Vou ter que agradar o B. vir essa semana porque ele tem carro, então evita que eu traga vária sacolas nos braços e ande 1km com elas. Não posso perder meus braços, né. Futuramente vou comprar aquelas sacolas de mercado, acabei de ter essa ideia. Mais velho, um carinho da feira... KKKKKK Vem aí.

Amanhã não sei o que vou comer ainda, mas sempre falo para o B. que Deus ajuda. Ele nunca deixou de me ajudar. Só quero sobreviver aqui.

#oremos