terça-feira, 7 de julho de 2026

PRIMEIRO SALÁRIO, PRIMEIRAS ESCOLHAS

Hoje recebi o primeiro salário completo do trabalho novo - já que havia recebido apenas os dias trabalhados - e o pensamento que me veio foi: será que vou ficar com alguma coisa até o próximo pagamento? 🤔

Sou uma pessoa ansiosa e preciso filtrar o que preciso mais do que nunca. A prioridade é a comida, claro, já que comer todos os dias fora se torna bem mais caro. No domingo, B. me doou algumas coisas da casa dele: três pedaços de bolo de laranja, dois pães massa fina, duas cenouras, o restinho da panqueca de frango que ele fez no almoço, um pacote de biscoito salgado sabor presunto, uma cabeçona de alho e a metade de um saco de arroz parboilizado - que há muito tempo eu não comia. E isso me salvou até hoje, terça-feira.

Na manhã de segunda, o meu café da manhã foram esses dois pedaços de bolo com um suquinho de maracujá de pacote. No almoço, refoguei o alho e a cebola e fiz um arroz que, modéstia à parte, por mais simples que seja, ficou delicioso, acompanhado da metade das panquecas de frango. Na janta, assei os dois pães com manteiga e voltei a tomar o suquinho de maracujá. E, claro, agradecendo sempre a Deus pela comida. 🙏🏻

Hoje pela manhã não tomei café em casa porque acabei me atrasando um pouco. Se eu fizesse algo para comer, chegaria um pouco mais atrasado, então preferi não fazer. Cheguei ao trabalho exatamente às 7h59, mesmo passando antes em um comércio próximo de esquina e comprando três "pães tripas" (achei engraçado esse "tripa" - rs) e um chocolate de caixinha.

Inclusive, por falar no pão, vi uma situação que me deixou com ódio e, ao mesmo tempo, nojo. No comércio, os pães ficam na bancada cobertos por um papel e alguns sacos e, quando pedimos, o senhor coloca a mão dentro de uma sacola, pergunta qual eu prefiro e depois coloca os pães em outra sacola. Qualquer pão ali, para mim, era pão, então respondi que tanto fazia, e ele pegou três que estavam grudadinhos. Ok, sem problema.

Enquanto coloquei o celular para fora para efetuar o pagamento, uma senhora começou a escolher com as mãos o melhor pão para ela levar. Escolheu com as mãos, sem proteção!!! Tipo, pegando, colocando para o lado, pegando um de baixo, olhando, colocando de volta... Mermão, pra quê isso? 😠 O olho existe pra quê? Vi que o senhor comerciante ficou constrangido, mas fingi que não vi nada, paguei e saí. Como pode, hein!?

No almoço de hoje, vim correndo para casa e, como não teria apenas uma hora para retornar, fiquei mais tranquilo para elaborar a comida. Cortei uma cenoura em rodelas e depois cortei as rodelas ao meio; refoguei, na margarina, o alho e a cebola; depois joguei a cenoura e, por último, o arroz. Quando o arroz estava quase enxuto, coloquei o resto das panquecas em cima dele para esquentar e aguardei. Eu não costumo gostar tanto da minha comida, mas, mais uma vez, ficou divina! Não aguentei, comi tu-do! (Amanhã vou descontar correndo e caminhando, prometo.) A janta ficou por conta de dois pães, com um ovo dividido entre eles, e água mesmo. E assim vou levando. São exatamente 22h e o pão não deu jeito, estou com fome e querendo cair na tentação de descer e comer um pastel aqui próximo... 😬 Não vou! Não posso!

Essa semana preciso fazer as compras. Já fiz uma lista do que preciso comprar para comer e, confesso, não vejo a hora de encher a minha geladeira, que no momento só tem margarina e dois litros de água. KKKKKK Vai dar certo. Vou ter que agradar o B. vir essa semana porque ele tem carro, então evita que eu traga vária sacolas nos braços e ande 1km com elas. Não posso perder meus braços, né. Futuramente vou comprar aquelas sacolas de mercado, acabei de ter essa ideia. Mais velho, um carinho da feira... KKKKKK Vem aí.

Amanhã não sei o que vou comer ainda, mas sempre falo para o B. que Deus ajuda. Ele nunca deixou de me ajudar. Só quero sobreviver aqui.

#oremos

quinta-feira, 2 de julho de 2026

A MESMA PALAVRA, OUTRO TOM

Um pouco mais de meio-dia de hoje, resolvi pedir uma quentinha, já que não aguento mais yakisoba (pra não dizer macarrão instantâneo) no almoço. Com toda essa mudança de vida, ainda não consegui a minha estabilidade financeira, então, para economizar, resolvi comprar comida processada e rápida, até porque, também, há poucos dias, minha geladeira chegou. Sei que posso ser julgado por isso, mas o julgamento maior vem de dentro de mim mesmo, porque estou comendo coisas que realmente não são saudáveis. Prometo que vou compensar isso com muita caminhada e corrida na próxima semana, já que trabalharei em horário comercial, de 8h às 18h, com pausa pro almoço, claro. 🙏🏻

Escolhi a opção da quentinha que queria e, no final, escrevi: "Quando estiver saindo, me informa." Detalhe: "me in-for-mA", com A no final. Antes de enviar, lembrei de uma conversa que ouvi no trabalho, apaguei a última letra da última sílaba e coloquei "me informE".

Por mais que as duas palavras tenham o mesmo sentido, o tom de quem lê não é o mesmo. No Maranhão - pelo menos na cidade onde morava -, é normal falar no tom: "Me dá", "Me entrega", "Me ajuda"... sempre com A no final de cada palavra. Aqui no Ceará, não. As pessoas usam o E, como: "Me dê", "Me entregue", "Me ajude"... E isso, pra mim, foi algo com que demorei pra me acostumar. A terminação das palavras com E, pra nós, aliás, pra mim, soa como autoritária. A meu ver, parece um chefe que quer algo naquele momento, tendo todo aquele poder de nos obrigar a fazer, que grita e tudo mais. Como disse, num tom totalmente autoritário.

E agora me peguei pensando... Será que a terminação com A que uso soa como autoritária aqui pro povo do CE? Agora faz um pouco mais de sentido na minha cabeça.

A conversa que ouvi aqui um dia desses foi assim, em um assunto aleatório, meio de fofoca: "Ah, ela chegou se achando, falando 'quero falar contigo'... Olha só, 'contigo'..." E eu pensei em qual o problema da pessoa chegar dizendo o contigo. Lembrei que eles não falam isso aqui, eles falam com você. Tipo, "eu quero falar com você". Como eu estava inserido na conversa, falei: "Gente, eu falo contigo, mas não é em tom de deboche, não, é que realmente a gente lá (do Maranhão) fala assim." Uma delas me confortou: "Você a gente sabe, o seu tom é educado, o dela, não." E continuei com aquele ponto de interrogação enorme na cabeça. Por quê!? 😬

Não queria mudar o meu jeito de falar e escrever, mas sei que, para pessoas novas, ainda mais de forma escrita em WhatsApp, vou ter que "forçar" essa delicadeza. É muito estranho não ir direto ao ponto, mas pessoas são pessoas, né? Não quero passar por nenhum tipo de constrangimento por aqui, ainda mais eu, que sempre falei tu. KKKKK

segunda-feira, 29 de junho de 2026

A MUDANÇA QUE EU TANTO ESPERAVA

O bom da minha vida ter mudado um pouquinho há mais de um mês é que tenho muita novidade pra contar. Não novidades de ganho, no sentido de ter... Aliás... Sim... Hmm... Como posso explicar? 🤔 Não falo em algo material, sabe, embora também. O que eu quero dizer é que não estou tanto na rotina, aquela rotina severa de acordar, trabalhar, ir pra casa e viver de novo o mesmo dia sem mudança nenhuma. Tá, parece que estou, afinal, no post anterior comentei justamente sobre isso. Talvez eu não tenha falado nada com nada nesse primeiro parágrafo, né? Enfim, ignora.

Nesses mais de 30 dias de mudança de cidade, MUITA coisa aconteceu. A minha organização financeira e pessoal tem me dado frutos bons. A novidade, que há dois posts eu queria dizer, era: TENHO UMA CASA!!! (alugada, mas minha). Na verdade, um apê, pequeno, mas bem confortável, próximo do trabalho e baratíssimo... Menino, foi um achado! 😁

Desde quando vim pra Tianguá, já fui procurando casas pra alugar. Por mais que eu soubesse que os meninos iriam me acolher super bem, a casa era deles, e visita, no máximo, teria que ser de uma semana. E lá se foram mais de 30 dias em um quarto na casa deles. Só gratidão, inclusive! 🙏🏻 Volto a dizer que eles são amigos mesmo e nem sei como pagar todo esse acolhimento, não só de agora, mas de sempre que precisei. Inclusive, nas últimas semanas, durante um almoço, fizemos um acordo. (A palavra "pacto" sempre soa como algo demoníaco, né? - rs.) Talvez eles nem vejam isso como forma de acordo, mas vamos dizer que seja um combinado. Pronto, a palavra certa é essa: com-bi-na-do. Se num futuro der certo, todos nós iremos ganhar. 🤑

Mas voltando à novidade, que é a "minha" casa... eu consegui sem procurar. A minha chefe passou na rua aqui próximo do trabalho, viu uma placa, me avisou de imediato, fui com o B. ver, gostei, fomos no cartório, fechamos, paguei o caução e recebi as chaves. Meu Deus, aquilo já era meu no mesmo dia! 😅 O mais interessante é que, um pouco antes de resolvermos essa parte burocrática, na porta de entrada do apê, após eu ter visto ele por completo, a senhora perguntou: "Você vai querer mesmo?" Respondi que sim, e, no mesmo momento, ela arrancou a placa de aluga-se dali. Isso me marcou muito!

Nesses 35 anos, sempre morei na casa dos meus pais, e ter um canto só meu, que eu possa organizar do meu jeitinho, me causa uma ansiedade agradável. Engraçado, né? E que bom. De imaginar que agora, enfim, eu vou ter paz... AEEE! 🙌🏻

Na entrada, coloquei uma plantinha que ganhei do Dalton e um tapetinho que comprei dessas lojas baratas de utilidades

Meu primeiro presente pra casa nova foi um escorredor de prato preto, simples, que já definiu a cor do meu "enxoval". De lá pra cá, ganhei muitas outras coisas: uma sanduicheira chique, um fogão de indução, um liquidificador... Todos pretos! Ah, antes que eu esqueça, comprei uma CAMA DE CASAAAAAL!!! A empolgação por uma cama de casal é ainda maior porque eu nunca tive uma, sempre dormi em cama de solteiro. Mesmo que eu quisesse antes, no quarto em que eu ficava na casa dos meus pais (que estranho dizer "casa dos meus pais" 🤔), não cabia, pois eu dividia o quarto com o meu irmão. Além disso, tinha um guarda-roupa pequeno e uma cômoda que comprei no último ano o que impedia mais ainda de uma cama de casal caber ali.

Aluguei esse apê no final do mês passado. Já está com quase 20 dias, mas não consegui mudar de imediato. Precisei pintar ele todo porque a cor que tinha lá não me agradava de maneira nenhuma e, psicologicamente falando, só depois eu fui entender o porquê. Agora lá está todo branco, pela claridade e paz. Não usei o branco gelo porque também me remete ao antigo trabalho (fora que é um cinza branco meio cinza sem graça), então usei um branco bem branco, sem ir pro bege, pro cinza e afins. Branco natural, branco neve. Pronto! 🤍

Poucos dias depois que aluguei, levei produtos de limpeza pra gente (meus amigos e eu) dar um grau. Não estava tão sujo, mas eu queria tirar toda a energia de lá dentro. Os últimos inquilinos eram um casal que tinha um pitbull. Pelo que ouvi da proprietária, o homem era um policial, já a mulher não faço ideia.

Subindo as escadas, à esquerda, antes da porta de entrada do meu apartamento, tem um cara que mora em uma quitinete. No dia em que fechei negócio, a proprietária me passou o contato dele, pois, por ser no mesmo espaço, iríamos dividir algumas coisas, tipo água. Conversamos algumas vezes e ele parece ser uma pessoa boa. Pelas roupas que ele deixa na varanda, voltadas para a rua, acredito que ele seja da igreja católica; e, vendo o perfil do Instagram dele, que, por culpa do algoritmo aparecia pra mim como sugestão, acho que ele é da área da saúde. Até então, nossa conversa foi bem agradável e ele me ajudou em alguns outros processos, como, por exemplo, a ligação da energia. As pessoas da cidade, no geral, são bem legais. Poucos dias atrás, conversamos mais pessoalmente. Ele estava lavando a escada enquanto eu aguardava um senhor consertar o chuveiro - que a principio nem tinha dado certo. Chamei o vizinho pra ver as condições do meu apartamento e ele me ajudou mostrando algumas coisas. Sempre tive receio de vizinhos, mas ele me parece ser uma pessoa muito de boa e do bem. Assim espero. 🙏🏻

* * * 

No sábado (20), fui às Americanas comprar um kit de panelas com os meninos. Ganhei R$ 100 de um amigo e pensei: "Por que não dar de entrada em algo que preciso muito?" Para a minha sorte, havia uma caixa exposta e na promoção. Não pensei duas vezes e comprei. Ao chegar no apartamento, ligamos o fogão de indução, testamos as panelas e nada. 👎🏻 As panelas não funcionavam naquele fogão, ele não reconhecia elas. Que vacilo!!! Juro que faltou eu chorar com aquela decepção e falta de atenção. Ao mesmo tempo, no fundo, queria ir na loja e devolver, mas a minha vergonha era maior. Comentando isso com os meninos, Dalton disse que não teria vergonha e que iria lá comigo pra tentar resolver. E voltamos à loja em menos de 1 hora.

Ao chegar lá, ele explicou pro rapaz do Caixa, que nos passou pra outro, e esse outro nos passou pra mais outro. O nome do supervisor da loja era Alex, se não me engano. Ele nos tratou super bem, mesmo nessa situação. Disse que não poderia devolver o valor, mas que eu poderia ver outro kit de panelas, dessa vez compatível com o fogão. Mas, pro meu azar, não tinha. E foi assim que substituí por várias outras coisas necessárias para a casa nova, como roupas de cama, toalhas... Passou apenas uns R$ 3 e pouquinho do valor do kit das panelas. O bom é que, de qualquer forma, não saí perdendo.

Alguns vexames ainda estou passando porque tudo é a primeira vez. Estou errando, mas errando pra acertar e aprender. Preciso me atentar mais aos detalhes, não somente à conquista. Dessa vez errei, mas consegui reverter. Mas, quando acontece de o barato sair caro, eu fico mais zangado. Não quero luxo, só quero o básico e bom.

* * *

Não gosto de começar um post e não terminar, e esse ficou alguns dias no rascunho. Não lembro exatamente o dia em que iniciei ele, mas continuemos para encerrar.

* * *

Aos poucos fui me mudando pro apartamento. Depois que comprei a roupa de cama, me empolguei e já quis logo dormir lá sem esperar o B., pois eu confesso que fiquei com medo de sentir medo nesse primeiro dia dormindo sozinho.

Na terça (23), saindo do trabalho, fui dormir lá. É muito estranho você estar em um ambiente em que nunca esteve, mas, ao mesmo tempo, saber que tudo ali é seu. Demorei muito pra pegar no sono. Como eu estava rodeado de casas, dos lados, embaixo, de frente pra janela do quarto, todo o barulho parecia que estava dentro do meu quarto. Incrível isso! O bairro onde estou é bem tranquilo, mas aqui e acolá tem uma criança gritando, motos passando com aquele barulho alto, carros e, pasmem, um senhor passeando a cavalo com toda velocidade do mundo na madrugada. Ontem, quando já estava pegando no sono, achei que eu estava sonhando. Só hoje, há pouco, no trabalho, perguntei à minha chefe, que mora em uma das ruas próximas, se realmente o cavalo existia por ali, na madrugada. Ela me confirmou.

Primeira selfie na cama nova antes de dormir - rs

Dormi com o B. apenas um dia lá: na sexta, 22. Ele passou frio e eu passei calor. Mas, na maioria do tempo, eu passo frio mesmo, porque deixo as persianas da janela de madeira abertas e o vento frio vem com tudo.

Não sei como será daqui pra frente, ainda mais em relação à comida, mas aos poucos vou me acostumando. Eu estava pedindo uma quentinha de R$ 10 em um lugar próximo da minha rua, mas sinto que já enjoei de comer todos os dias a mesma coisa. Como não tinha mesa, improvisei uma caixa de papelão deitada na cama com um porcelanato em cima. Esse porcelanato eu ganhei pra colocar o fogão de indução em cima, com medo de esquentar a pia ou a mesa. Usando o porcelanato, não sujo a cama e consigo comer com um pouco mais de conforto sentado na cama. Spoiler: ontem, ainda bem, ganhei uma mesa de plástico com duas cadeiras.

Ainda ontem (domingo, 22), já pedi a instalação da internet e deu certo. Antes de dormir, usei o fogão para fritar ovos pra comer com pão e levei um susto, pois ainda não sei "operar" ele. Aos poucos eu vou aprendendo; hoje cedo até que consegui "administrar" melhor o fogo dele. O ovo quase saiu inteiro, mas pelo menos não foi aquele exagero da primeira vez.

Sei que falta eu comprar muita coisa ainda, mas aos poucos eu vou conseguindo. Já organizei um dos quartos pra "bagunça" e quase diariamente deixo o pouco lixo que acumulo do lado de fora. São vários detalhes, mas está dando certo... Eu só quero me sentir bem lá. 😌

Talvez esse post, por ter sido escrito em diferentes momentos, não tenha ficado tão "redondinho", ainda mais nesses últimos parágrafos, pois estou morrendo de fome. Encerro por aqui e volto depois.

Valeu! 🩷