Como sempre falo aqui, a cada ano me sinto bem mais sozinho. A minha bolha social não sei aonde foi parar. Me sinto só, mas consigo me confortar com aquela frase clichê: "Melhor só do que mal acompanhado". 😞
Passo muito tempo em casa e o trabalho acaba sendo a minha distração. Lá, além de trabalhar, claro, consigo me divertir, rir e conversar sobre assuntos diversos. Embora o ambiente não seja propício para isso, tento o máximo aproveitar as 8h diárias que tenho há quase 8 anos. No trabalho já sorri, já chorei escondido e também não escondido, já me irritei bastante e também já me senti querido por pessoas que passam por lá. Isso faz parte do trabalho, essa montanha-russa.
Na verdade, nem é exatamente disso que quero registrar hoje aqui. Esses dias, com apertos no meu coração e na procura de um profissional da saúde mental, tenho tentado desafiar alguns medos. Estou evitando ficar sozinho nos finais de semana e, quando tenho que ficar sozinho, busco algo que me faz bem: vejo uns vídeos aleatórios de curiosidades ou entretenimento no internet ou, como frequentemente tem acontecido, ligo pro Arthur. Fico horas conversando por vídeo chamada com ele e isso preenche a minha mente de uma forma que me livro de vários pensamentos ruins ou que deixam eu parar de me assustar à toa. 🙂
Hoje à tarde, no medo de ficar triste e na falta/preguiça de ver mais coisas na internet, decidi que iria sair pra caminhar. Pensei em chamar duas pessoas, mas eu tinha certeza que a resposta seria negativa. Penso que eu não seja mais um boa companhia pra ninguém. Mandei mensagem pro Filipe, mesmo sabendo que ele poderia dizer não, mas tentei, afinal, o não eu já tinha... Vai que por um milagre ele aceitaria o convite, né. Enquanto aguardava a resposta dele, fui tomar banho.
Umas 16h30, após sair do banho, vesti o calção que havia comprado dias atrás, busquei por um tênis velho, acabado e descolado que o Pedro me deu há vários meses, ou até ano já, coloquei um blusão que ganhei do André, respirei fundo, parei no meio do quarto, fechei meus olhos e pedi coragem a Deus, fazendo ali uma pequena oração para que ele me mantivesse seguro até o meu retorno pra casa.
Chequei novamente o celular pra verificar se já havia mensagem do Filipe, que não tinha, olhei a hora (exatas 16h48) e sai de casa.
O tempo estava um pouco nublado, tinha acabado de serenar - o que foi estranho, pois já estamos no final de julho -, e ventava um pouco. O cheiro que eu senti de terra molhada era muito bom e segui firme até depois da Escola Maria Regueira dos Santos. Ao final dela, retornei e segui na Avenida Santana. Eu achava que não aguentaria muito, não tinha me alongado, mas queria que o meu limite me permitisse até onde desse. Segui até o final da Avenida Santana e voltei de novo, cortando para passar na rua do meu trabalho, depois na Sérvulo de Lima, um pouco da Avenida Coelho Neto, Balão e minha rua. Pareceu bem rápido, mas eu senti muita coisa durante todo esse percurso.
Foi muito bom ver a minha cidade com outras perceptivas. Caminhar mexeu com muitos sentidos meus, sério mesmo. Quando cheguei próximo da minha escola senti uma nostalgia grande, veio flashs na minha cabeça e isso me deixou feliz - e segundos de tristeza também. Vi casas da Vila abandonadas, destruídas e senti vontade de morar lá. Na Avenida Santana vi de tudo: pessoas conversando na calçada, um senhor tocando cavaquinho (ou era violão mesmo?), jovens jogando bola em um espaço da calçada onde tinha grama, pessoas festejando em casa com música alta e foguetes. Foi muito bom! 🙃 Fora que senti vários cheiros enquanto passava, jogados pelo vento: perfumes que eu sentia quando era criança, comida do jantar sendo preparada em alguma das casas, cheiro de flores de algumas árvores, do mato característico e até de fumaça de fogueira feita no quintal de casa. Volto a dizer, foi muito bom... Ainda mais por ver o dia indo embora e a noite chegando.
Cheguei em casa um pouco suado, aliviado e me sentindo bem. Logicamente, agradeci a Deus por minha chegada e prometi que, como primeira vez, registraria aqui ou no diário. Ansioso, peguei o celular para ver quanto tempo tinha passado fora de casa e me frustrei ao mesmo tempo que me surpreendi: eram 18h03. Como assim eu só tinha passado uma hora fora de casa?? Eu jurava que já estava andando há mais de duas horas. 😬
Vou tentar ir amanhã novamente, sozinho de novo, seguindo outra rota, outras ruas, mas com todo o cuidado e ainda sem levar celular, claro. Se eu continuar com essa frequência, pelo menos nos finais de semana, quero acrescentar uma música nessas idas. Não posso levar o celular, então tentarei comprar um eletrônico discreto do começo dos anos 2000 - rs.
É isso! Até depois! 😉
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