quinta-feira, 26 de agosto de 2010

PNEU FURADO

Na terça-feira, 24, como sempre, ao sair do trabalho, tive a minha rotina: fui ao lugar de sempre esperar o ônibus. Mal sabia o que iria acontecer a alguns minutos.

Eu sento num banco atrás do motorista e ele saiu pegando todos os funcionários. Tivemos de encarar toda a poeira que no caminho estava. Mas isso foi o de menos. Assim que passamos da ponte, começou a fazer um barulho estranho, e eu ficava observando o motorista mexendo em uma caixinha que parecia um relógio, mas que media alguma coisa – acho que a pressão de algo. Nessa “caixinha”, havia um botão que ele girava pra lá e pra cá e uma luzinha vermelha que se apagou. Ninguém no ônibus não comentava nada e nem eu imaginava o que podia estar acontecendo.

De repente, o ônibus para e todos começam a descer. O cara que estava sentado ao meu lado foi o primeiro, depois desceram os outros. Nessa hora, juro, eu pensei rápido, pensei que fosse uma parada, sei lá, pra eles fazerem alguma pesquisa rápida, observar as canas no chão... Mas quando vi todos descendo, me desesperei. Pensei logo que seria incêndio ou coisa do tipo, acho que veio isso na cabeça porque segundos antes imaginava coisas terríveis, como sempre quando estou com o pensamento vago.

Quando desci me aliviei ao ver o pneu furado. Todos começaram a rir, outros a se reclamar. Eu simplesmente só olhei, achei engraçado e segui meu caminho. Eu não conhecia ninguém que estava andando por ali, mas procurei andar no meio deles pra eu me sentir mais seguro, principalmente dos carinhas da minha idade, que fazem curso à tarde na fábrica. Parecia que eu era amigo deles, pois eu estava bem ao lado deles, enquanto eles riam e comentavam outros fatos parecidos com esse.

Embora a vontade de me entrosar tivesse sido grande, o meu orgulho timidez falou mais alto. Raiva! Mas mesmo assim me senti como tal, me senti seguro e enturmado, mesmo não estando no maior papo como eles estavam. Pensei até em ligar pra alguém pra não me sentir sozinho, mas ninguém veio na minha cabeça.

Caminhei acho que 1 km, se não tiver sido mais. Não reclamei por estar ali, no meio da estrada, escura, e de pé. Ao contrário, gosto dessas aventurinas que menos espero – desde que seja boa, claro. Mesmo não rindo, não conversando, somente caminhando, me diverti. Me diverti comigo mesmo por ter acontecido esse incidente.

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