sábado, 15 de maio de 2021

AUGUSTO

Conheci o Augusto em 2014. Na época, era febre a linha de smartphones da Nokia e nas redes sociais nos encontramos e trocamos várias experiências quanto ao uso deles. Em várias trocas de mensagens, fomos pro whatsapp e com o tempo nos tornamos muito amigos. Os assuntos referentes aos celulares foi deixado um pouco de lado e, comigo, ele dividia os problemas e algumas situações difíceis que estava passando em sua vida. Eu entendia a pressão que o Augusto recebia na época e eu tentava direcionar ele da forma certa, mesmo não conhecendo totalmente a sua cultura, personalidade e realidade. De uma coisa eu tinha certeza: Augusto era um menino bom, uma pessoa que não tinha um pingo de maldade no coração e cheio de propósitos. Isso era um dos motivos da minha vontade de ficar próximo dele.

Em 2015, depois de muita conversa e insistência, Augusto me convenceu a ir visitá-lo em Goiânia. Não sei como venci a essa insistência por, na época, ser medroso, inseguro, nunca ter viajado de avião e sequer saído do nordeste... Incrível como eu cai na lábia dele, sendo que ele era do mesmo jeito e nunca tinha feito nada em questão - rs. Lembro que toda essa experiência relatei AQUI e, inclusive, dias atrás, estava lendo os posts.

Em agosto do mesmo ano, fui me desafiando a tudo. Estava sozinho, mas tentando ser seguro do que "estudei" durante os meses anteriores e com medo de me decepcionar, de me sentir mais sozinho ainda. Pelo contrário, me senti abraçado!

Aquele dia foi muito cansativo. Fiquei sem dormir por estar com ansiedade antes de pegar o voo, esperei demais e caminhei mais ainda por dentro do aeroporto enorme de Brasília. Tudo era novo pra mim e eu ficava maravilhado com todas aquelas pessoas que tinham um mesmo propósito, que seria chegar a seu destino.

Naquele aperreio, cheguei em Goiânia com medo de não ser recebido por ninguém e ficar esperando ali, no meio daquele monte de gente. Foi aí que o Augusto me viu de costas, pegou no meu ombro e soltou com seu sotaque com bastante érre: "E aí, meRRmão!". Nos abraçamos rápido e pedi pra que ele me tirasse dali. Ele estava muito tranquilo e não parava de rir, e eu morrendo de vergonha e agoniado pra comer, tomar banho e descansar.

Nem parecia que a gente estava se conhecendo naquele momento. Ele parecia um amigo de longas datas, eu não me privei de dizer nada, nem de ser eu, embora estivesse morto de cansado. Ele estava muito empolgado, queria me levar pra todo canto naquele horário do almoço dele. Fomos almoçar, depois ele me levou pra faculdade, mas não sai do carro. Ali, apaguei. Só despertei quando ouvi ele batendo a porta do carro ao entrar.

E vivi dias incríveis com ele. Saímos algumas vezes e conheci o Breno e Alexandre, que também são de Goiânia e que até então também só conhecia pela internet. Nessa brincadeira de conhecer as pessoas, fomos até escondido pra Uberlândia pra conhecer a Tassya. Foi muito bom!!!


Também tive a oportunidade de muitos meses depois receber ele aqui no nordeste. Ele foi para o litoral do PI com a família, mas eu quis que ele viesse pra capital, Teresina, me encontrar. Pedro, Dalton e eu recebemos ele super bem. Levamos ele pra todos os cantos e jamais vou esquecer dele banhado de suor, por nunca ter sentido o calor daqui - rs. Eu fiz tudo isso pra compensar toda minha gratidão por toda a atenção e dedicação que ele teve comigo quando estive em sua cidade.


Hoje, dia de seu aniversário, recebi logo cedo a notícia de sua partida. É bom lembrar de coisas boas, mas hoje o dia não será o mesmo. Hoje seria um dia de comemorar, de mandar áudio, mensagem e, quem sabe, até postar foto de zoeira nas redes sociais, mas, não, tenho que me manter contido. Nunca imaginei que fosse perder um amigo da minha vida, ainda mais por conta desse vírus que tanto me amedronta. Quando soube de seu estado semanas atrás, todos os dias quando lembrava, pedia a Deus para que o mantivesse vivo, que houvesse um jeito dele me ligar, mandar mensagem... Por algumas vezes, até via seu visto por último na esperança de que ele pudesse ter acesso ao celular. Mas, não! A partir de hoje o silêncio dele poderia ser pra sempre, eu não vou deixar! Guardarei todos os seus áudios e suas mensagens, assim como as fotos e vídeos que fizemos juntos.

Hoje perco um grande amigo, uma pessoa boa, uma pessoa que a vida e a internet me deu, que foi o pontapé inicial para que eu criasse coragem, perdesse alguns medos e me desafiasse sempre. Vou guardar sempre as lembranças boas. Vou lembrar de tudo mesmo!

Eu pensei que não iria chorar por não convivermos juntos, por estarmos distantes, mas estou aqui sem conter as lágrimas enquanto digito este post. Isso é a prova do sentimento de amizade forte que tivemos e que, sim, Augusto teve um propósito na minha vida, assim como eu tive na dele.

Agora, preciso criar força pra seguir e orar para que sua mãe – que fazia um milho maravilhoso no almoço –, seu pai – que sempre foi batalhador e bem humorado – e sua irmã tenham um conforto. É uma dor que se perpetuará pra sempre, mas Deus está em nosso comando.

Eu tô sentindo muito, muito mesmo agora, nunca vamos nos acostumar com a dor da perda.

Obrigado, Augusto! Obrigado por tudo!

🖤😢

quinta-feira, 29 de abril de 2021

CARÊNCIA

Tenho uma facilidade grande quando caminho pelas ruas em ficar pensando em mil coisas, pensamentos totalmente aleatórios.

Agora há pouco, vindo do trabalho, me deu um bad, sabe. Fiquei pensando no quanto o ser humano, ou melhor, falando por mim, o quanto sou carente e dependente de um outro ser humano. É incrível a capacidade e responsabilidade de ter alguém em cima da gente, conversando, escutando ou até mesmo estando presente ali fisicamente, sem nem ela saber.

Há muito tempo não tenho uma amizade nova ou uma conversa com alguém por acaso, em poucos minutos. Os únicos e últimos contatos que tive são de pessoas do meu trabalho ou os alunos, clientes. Não é a mesma coisa! Não quero só chegar ali, expor ou resolver um problema específico, quero conversar sobre a vida, sobre as pessoas, trocar algumas experiências ou dar início a uma amizade, sem nenhum interesse.

Difícil hoje em dia, pois praticamente somos obrigados a ficar conversando pelo celular, quando eu estava quase desistindo disso, de procurar ter um contato só mesmo pessoalmente ou por ligação. Quem disse? O futuro é isso e eu tenho que lidar com isso.

Não sei o que esperar de mim. 😥

quinta-feira, 22 de abril de 2021

EITA ATRÁS DE EITA

Nem sei como eu ainda tenho tempo de vir aqui. Nunca vi dias mais tensos e intensos. Tenho que me provar a cada dia que sou forte e que dou conta de tudo ao mesmo tempo, além de criar uma paciência por cima da ansiedade que nem sei de onde surge dentro de mim.

Achei que hoje fosse ser tranquilo, mas amanhã é aniversário de 14 anos do meu trabalho e, como em todos os anos, tudo é decido e arquitetado em cima da hora. Eu reclamo, mas no fundo eu acho bom, sabe. No fundo eu fico com aquele sentimento de dever cumprido e que mais uma vez fui útil.

Fiz arte do banner e da camisa, criei em cima do banner um convite virtual, fui atrás de impressão de banner e da confecção das camisas. Lógico que não fiz isso totalmente sozinho, mas eu gosto mesmo de me virar só. Atrelado a isso, minha mesa estava cheia de papéis que me deixam muito mais aperreado. Enquanto eu aguardava resposta da malharia e gráfica, lia um pouco do TCC enquanto fazia uns rascunhos em um bloco, e preenchia um pouco do Estágio II, que já era pra ser entregue há mil anos.

Gente, quando eu me formar não vou mais nem querer saber dessa instituição que atrasa a minha vida. Só de pensar já fico p****!

Enfim, como eu também não sou de ferro, me dou umas horinhas de folga pra minha mente amenizar todos essas pressões que eu mesmo me dou. Nessas horas eu vejo um capítulo de Mulheres de Areia no Globoplay, vejo alguns episódios de Se Sobreviver, Case e alguns vídeos aleatórios no youtube. Graças a Deus que não estou viciado a ponto de terminar um capítulo/episódio e já querer partir pra outro. Vou deixando acontecer, sem pressa, só pra, como disse, amenizar as pressões que me dou durante a semana.

No final de semana, no domingo, já é sagrado ir ao interior dos pais do Dalton. Gosto de ficar lá com essa conexão com o mato, longe de todo o barulho da minha rua e de problemas e gritos familiares. Lá tem riacho, água no chuveiro e rede pra eu ficar o dia todo deitado, sem ninguém reclamar. Além do mais, lá tem internet, então não fico totalmente offline.

Por mais que eu não goste ~ e reclame ~ da minha vida cheia de coisas, pelo menos a minha mente fica ocupada. Em meio a diariamente notícias ruins por conta desse maldito vírus, vou vivendo. Vivendo com saudade das minhas viagens, de conhecer meus amigos da internet e de viver experiências incríveis que só eu mesmo posso viver.

E é isso! Até qualquer dia! 😗