sexta-feira, 15 de outubro de 2010

DESEMPREGADO

Se lembram da última postagem que eu disse que estava muito triste, que eu havia recebido uma notícia mais triste ainda? Se não lembram, clique aqui! Como passou todos esses dias e, também, como havia prometido, vou dizer o que houve.

Eu até que estava animado naquela quinta-feira. Acordei muito cedo pra pegar o ônibus, já que tinha acontecido um probleminha com o carro do pai e ele estava na oficina. Eu nunca tinha me acostumado a acordar sempre às 6h, pois, mesmo que acordasse, esperava, ainda na cama, a boa vontade de o pai tomar banho e ir se arrumar, para depois ser eu. Ficava mais animado por ver que tinha uma “coisinha” lá, na parada de ônibus, que me deixava feliz, mesmo não conversando e nunca tendo a visto antes.

Cheguei ao trabalho disposto, até então. Procurei antecipar tudo enquanto estava sozinho e me livrar de bagunças e aperreios. Nisso, fiquei atualizando algumas pastas, algumas planilhas, organizando a minha mesa até quando o Seu Nelson chegou. Fiquei conversando com o ele enquanto seguíamos a labuta de sempre.

Quando deu um pouco mais de 9h30, um dos meus patrões chegou. Ele tinha trago um cabinho que faltava encaixar no modem para colocar internet. Nisso, tentando arrumar a internet, ele se lembrou de pegar um documento que estava dentro de seu carro: a minha carteira de trabalho. Ele me entregou e pediu para que eu assinasse um “recibo”, digamos assim. Assinei e ele deu continuidade ao que estava fazendo no computador ao lado.

Conversamos mais até que vi que ele estava muito preocupado com o Seu Nelson, pois me perguntava – e perguntava pra ele também – se estávamos dando conta do trabalho, se eu estava ensinando o que sabia e se ele estava pegando as manhas. Depois dessas poucas frases, ele disse que queria ficar sabendo disso, porque eu só ficaria trabalhando até o dia 15 (no caso, hoje). Ele disse isso de um jeito tão normal, simples, que, quando escutei, pensei que não fosse comigo. Ele, então, olhou nos meus olhos, acho que para estar seguro da minha reação. Ao cair à ficha, esfriei. O meu coração bateu em disparada, comecei a me tremer, a sentir os meus olhos lacrimejarem e... comecei a dizer adeus às coisas futuras que eu já tinha planejado com o dinheiro.

Não chorei na hora, mas quando estive sozinho, discretamente, lamentei por mim mesmo. Me senti inútil, um figurante em meio a uma empresa, mas a vida é assim, não podemos fazer nada, pois ainda somos dependentes enquanto mandam na gente.

Pensei no meu celular, na minha internet, na estreia do filme da Bruna, nas minhas roupas e, principalmente, em aguentar a ser chamado de “vagabundo” novamente. Agora o que vai ser de mim? Casa, rua, rua, casa? É muito chato se acostumar com uma coisa e nunca imaginar que ela não vai ser para sempre.

Na sexta-feira, andei conversando com o Seu Nelson a respeito do trabalho. Ele me contou mais uma de suas histórias que definitivamente me convenceu; que me trouxe um moral. Realmente, nunca vou me esquecer dessa história do homem que vivia preso a sua vaquinha e não tinha tempo para outras coisas, apesar de essa vaquinha lhe proporcionar seu sustento. O homem, nesse caso sou eu; e a vaquinha, o meu emprego. Pude refletir sobre isso, mas iria mentir se ainda não dissesse que continuo inseguro em outros lares.

Várias pessoas próximas me perguntaram o motivo da minha saída, mas realmente não sei ao certo. Estou tentando encaixar o quebra-cabeça, aliás, até acho que já encaixei, mas procuro não confirmar o tal fato.

Hoje, acordei feliz, fui pegar o ônibus bem cedo e aproveitar meu ultimo dia de rotina. Tudo que eu via, me despedia. Entrava no ônibus e imaginava que na próxima semana, não estraria mais entre aqueles bancos. Olhava as pessoas pelas quais eu ia com a cara, tinha vontade me entrosar, e fazia brotar uma raiva, pois não aproveitei o tempo para me aproximar. Olhava pela janela o cenário quando passava pela ponte e imaginava que não iria mais ver a coreografia dos pássaros no ar...

Enfim, agradeço à Deus, claro, pois não tenho do que reclamar. Realizei o meu sonho de ter um notebook em breve sem internet e a lidar com meu próprio dinheiro. Acredito que eu não tenha feito besteira com a minha grana, mas poderia investir mais. Lamento bastante por não conseguir comprar o que eu estava esperando há bastante tempo, assim que terminasse de pagar o notebook: o meu celular, mas a vida segue...

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O dia se completou com mais uma notícia triste logo cedo, mas que não irei comentar por aqui o que é. Vou registar no meu diário real. Estou muito triste, com o coração apertado, já até chorei, mas, como disse, a vida segue.


And it rips through the silence of our camp at night

And it rips through the night
And it rips through the silence of our camp at night
And it rips through the silence, all that is left is all
That I hide

2 comentários:

  1. Ééééé... O que fazer não é?
    Agora pense que virá um emprego melhor , uma rotina diária melhor sabe? Você obteve experiência e vai enxergar as coisas de maneira diferente. Então Anderson, imagine as coisas ruins que você se livrou de lá, que com certeza tinha, e respire fundo, enxergue alto. Pois a estrada da vida é longa, mas saiba do qual caminho você está. E é nesse caminho onde você se encontra, é que vai parar longe, bem perto da sua felicidade!

    Abraços colega! Boa sorte!

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  2. - Muito obrigado pelas palavras. Sempre gosto de ler os teus comentários. Valeu pela força e o incentivo. Abraços "colega" (Isso foi ironia?)

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