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segunda-feira, 13 de julho de 2026

A SAUDADE TEM ROSTO

Agora há pouco desabafei chorando no dix e resolvi registrar aqui também. Pra quem não sabe, dix, segundo a IA, é "uma gíria da Geração Z para um perfil privado alternativo no Instagram. Derivado da expressão 'para deixar', funciona como um espaço íntimo e seguro onde jovens compartilham desabafos e momentos espontâneos apenas com um grupo muito seleto de amigos próximos." 😉

Neste mês de julho vou ter que trabalhar em algumas cidades vizinhas daqui. Para os deslocamentos, precisamos utilizar as famosas "topiques" (assim chamam as vans daqui). Hoje, assim como dias atrás, também precisei pegar uma delas.

No sábado, quase 7h, fui para o ponto das topiques para ir a Ubajara, cidade a uns 20 minutos daqui. O trabalho foi até às 10h e foi bem divertido. Ao "encerrar o expediente", acabei ficando por Ubajara mesmo. O restante do pessoal do meu trabalho voltou pra Tianguá. Aproveitei essa oportunidade pra ficar um pouco mais com o B. no final de semana e até fomos pro Parque Nacional no domingo pela manhã. 

Hoje, cedo, estava certo de irmos a outra cidade, um pouco mais distante, mas ainda vizinha daqui: São Benedito. Acordamos cedo. Glyson e Conceição pegaram a topique em Tianguá, me enviaram o número, a placa e outras informações pra eu ficar atento e entrar no mesmo transporte deles. Enquanto acompanhava a localização em tempo real que o Glyson me enviou pelo WhatsApp, aconteceu algo.

Estava encostado em uma coluna da farmácia da esquina quando uma criança, de camisa, calça e chinela, aparentando ter uns 10 anos, parou na minha frente, só que de costas. Parecia meio desconfiada, olhando pra um lado e pro outro. Eu, com os fones de ouvido no volume máximo e o celular na mão, com medo de alguma investida, coloquei rapidamente o celular dentro do bolso. Não que isso seja algum tipo de preconceito, mas posso explicar: em uma viagem ao RJ, quase fui assaltado por uma criança, e isso acabou me deixando meio traumatizado.

A criança, sem olhar pra mim, começou a falar. Pausei o fone de ouvido dando um clique no lado direito e entendi da metade da frase pra frente: "...trocado pra eu merendar?" Como, pra bom entendedor, meia palavra basta, entendi o recado. Ele estava pedindo dinheiro pra poder comer, ali, quase 7h da manhã. No automático, respondi que não tinha - mas realmente não tinha dinheiro em espécie, pois há muitos anos nem carteira eu ando mais levando, com a facilidade do Pix e dos documentos no celular.

Do lado havia uma quitanda. Não sei como definir uma quitanda hoje em dia, mas digo que lá tinha biscoitos, pães, refrigerante, pastéis... Levei o menino pra lá. Entrando, o senhor estava fritando pastéis no fundo do estabelecimento. Bati palmas pra chamar sua atenção. Logo ele veio, e falei: "O senhor pode dar um pastel e um guaraná pra esse rapaz?" O menino logo disse: "Tem pastel de quê?" Não lembro exatamente o que o senhor respondeu, mas pegou o pastel e entregou nas mãos da criança. Pedi novamente que ele entregasse o guaraná também, e logo foi buscar no freezer.

O menino sentou em uma cadeira de madeira em frente à TV que estava logo no alto da parede, juntou as pernas e as apoiou no apoio para os pés da cadeira, abriu o refrigerante, mordeu o pastel e tomou um gole. Enquanto isso, eu pagava aquele lanche. Ao sair, passei na frente dele. Ele confirmou com a cabeça e sorriu. Sorri de volta. Eu fiz aquele menino feliz naquele momento.

Assim que coloquei o pé pra fora da quitanda, veio de dentro de mim uma força tão grande que não sabia explicar. Sò foi o tempo de chegar à mesma coluna da farmácia da esquina e comecei a chorar. Há muito tempo eu não chorava assim, de dentro, sem ter esse controle. Ao mesmo tempo em que meus olhos não paravam de criar lágrimas, eu tentava limpá-las com as mangas do meu casaco. Inclusive, enquanto digito isso, revivo a cena e volto a chorar. 😢 Naquele momento, lembrei do Eduardo, meu sobrinho. Parecia ele ali. Acho que foi a saudade que ligou esses fatos, e eu desabei em choro.

Baixei a cabeça, mas percebi que as poucas pessoas que passavam ali na minha frente observavam esse meu "surto". Eu sentia vergonha, mas ninguém me conhecia. Eu não podia fugir.

Ainda ali, mandei mensagem pro B. contando a situação e mostrando minha cara, tirando uma selfie em visualização única. Tenho certeza de que eu estava vermelho, pois era como se todo o meu corpo quisesse gritar. Com os olhos embaçados, não consegui ver realmente a foto que enviei: foi abrir a câmera, clicar, colocar em visualização única e enviar, tudo em frações de segundos. Também mandei mensagem pra um grupo que tenho com Giovanna, Karen e Jessica e mostrei a mesma coisa. Eu precisava descarregar aquele sentimento naquele momento. Era um desabafo.

Poucos minutos depois a topique chegou. Limpei as lágrimas e tentei engolir aquele choro pra ninguém perceber, mas nem tinha como. Aos poucos, vendo a paisagem e a neblina na estrada, fui esquecendo e me recompondo.

Não sei se um dia vou ver esse menino novamente, mas sei que, mesmo que ele esqueça esse dia, eu nunca vou esquecer.

👦🏻🩷

quinta-feira, 2 de julho de 2026

A MESMA PALAVRA, OUTRO TOM

Um pouco mais de meio-dia de hoje, resolvi pedir uma quentinha, já que não aguento mais yakisoba (pra não dizer macarrão instantâneo) no almoço. Com toda essa mudança de vida, ainda não consegui a minha estabilidade financeira, então, para economizar, resolvi comprar comida processada e rápida, até porque, também, há poucos dias, minha geladeira chegou. Sei que posso ser julgado por isso, mas o julgamento maior vem de dentro de mim mesmo, porque estou comendo coisas que realmente não são saudáveis. Prometo que vou compensar isso com muita caminhada e corrida na próxima semana, já que trabalharei em horário comercial, de 8h às 18h, com pausa pro almoço, claro. 🙏🏻

Escolhi a opção da quentinha que queria e, no final, escrevi: "Quando estiver saindo, me informa." Detalhe: "me in-for-mA", com A no final. Antes de enviar, lembrei de uma conversa que ouvi no trabalho, apaguei a última letra da última sílaba e coloquei "me informE".

Por mais que as duas palavras tenham o mesmo sentido, o tom de quem lê não é o mesmo. No Maranhão - pelo menos na cidade onde morava -, é normal falar no tom: "Me dá", "Me entrega", "Me ajuda"... sempre com A no final de cada palavra. Aqui no Ceará, não. As pessoas usam o E, como: "Me dê", "Me entregue", "Me ajude"... E isso, pra mim, foi algo com que demorei pra me acostumar. A terminação das palavras com E, pra nós, aliás, pra mim, soa como autoritária. A meu ver, parece um chefe que quer algo naquele momento, tendo todo aquele poder de nos obrigar a fazer, que grita e tudo mais. Como disse, num tom totalmente autoritário.

E agora me peguei pensando... Será que a terminação com A que uso soa como autoritária aqui pro povo do CE? Agora faz um pouco mais de sentido na minha cabeça.

A conversa que ouvi aqui um dia desses foi assim, em um assunto aleatório, meio de fofoca: "Ah, ela chegou se achando, falando 'quero falar contigo'... Olha só, 'contigo'..." E eu pensei em qual o problema da pessoa chegar dizendo o contigo. Lembrei que eles não falam isso aqui, eles falam com você. Tipo, "eu quero falar com você". Como eu estava inserido na conversa, falei: "Gente, eu falo contigo, mas não é em tom de deboche, não, é que realmente a gente lá (do Maranhão) fala assim." Uma delas me confortou: "Você a gente sabe, o seu tom é educado, o dela, não." E continuei com aquele ponto de interrogação enorme na cabeça. Por quê!? 😬

Não queria mudar o meu jeito de falar e escrever, mas sei que, para pessoas novas, ainda mais de forma escrita em WhatsApp, vou ter que "forçar" essa delicadeza. É muito estranho não ir direto ao ponto, mas pessoas são pessoas, né? Não quero passar por nenhum tipo de constrangimento por aqui, ainda mais eu, que sempre falei tu. KKKKK

quarta-feira, 10 de junho de 2026

CALMA, ANDERSON

Depois que vim pra cá parece que não existe mais tempo pra mim - e isso nem é uma reclamação. Ainda é cedo, eu sei, mas sinto um sentimento de culpa por não aproveitar quando estou sozinho e de folga. Não sei se isso é porque ainda estou na casa dos meninos...

A minha rotina até então neste mês foi: acordar quase 9h, tomar café, assistir à novela do dia anterior e depois a alguns programas da grade da DiaTV, almoçar, tomar banho, trabalhar até às 22h, tomar banho novamente, deitar e dormir quase 1h da manhã. E depois começar tudo de novo. É um ciclo! (ou um círculo?) EU NÃO QUERO ISSO!!! 😵

Mas por que eu me sinto culpado? Talvez por simplesmente não estar vivendo comigo mesmo. No final de semana, por exemplo, eu só quero curtir a preguiça, isso quando não tenho coisas do trabalho. O que eu queria era caminhar, correr, ver e sentir as belezas dessa cidade e ter novas experiências. Sei que sinto essa culpa, mas ao mesmo tempo me conforto que estou começando agora, que tudo está sendo do zero, que preciso comprar/conquistar várias coisas ainda, mas, pô, preciso fazer algo que seja de zero centavos também.

Sei que estou criando alguns amigos, mesmo sendo do trabalho, mas cada um tem a sua vida, né? Não posso sugerir coisas sendo que tudo aqui é dinheiro e, a princípio, preciso economizar o máximo que eu puder. Sem falar que preciso me deslocar e, por enquanto, tudo aqui é moto-táxi. Até que teve vários dias que consegui pegar moto no 99 por, acreditem, R$ 0,12. Foram as viagens mais felizes da minha vida - rs. 😎

Ontem, antes de dormir, me bateu uma bad louca, uma vontade de acelerar o tempo e conquistar logo tudo de que eu preciso, mas o tempo não é meu, é dEle.

Que angústia!!! 😕

Eu vivo criando metas e sei que cumpro elas, mas ultimamente nem isso posso fazer porque tudo é dinheiro por aqui. Não que eu esteja sem dinheiro, mas fico naquele medo de chegar ao ponto de não ter mais nenhum centavo.

Calma, Anderson, respira... Vai dar tudo certo.

E vamos aguardar!

Obs.: No último post eu disse que possivelmente neste eu contaria uma novidade, mas por enquanto ainda não consigo, pois ela está em processo.

Valeu por estar aqui!

Até! 😉

quarta-feira, 25 de março de 2026

TALVEZ SEJA HORA DE DESLIGAR

Nós últimos dias fiquei me perguntando o porquê de não ter tido mais sonhos, já que eu sonhava todos os dias. Pra quê? 😑

Nessa madrugada, sonhei que o mundo estava acabando. Pra mim, são os piores sonhos que posso ter - além daqueles em que estou passando vexame, claro. Eu estava na porta de casa, olhando para o outro lado da rua, quando vi um caminhão rodando no ar e atingindo os pontos comerciais por trás, vindo em minha direção. Parecia que um tornado havia levantado um caminhão e jogado ali. Só tive tempo de gritar para alguém que estava do meu lado: "Olha um caminhão!!!". Aquele barulho de estrondo foi desesperador. Em seguida, uma enorme esfera metálica vinha do céu, em alta velocidade, atingindo o mesmo lado onde o caminhão havia batido. Novamente, o barulho me deixou em desespero.

Só lembro até aí, pois acho que possivelmente acordei e dormi de novo. Felizmente, ainda tenho aquilo de controlar os sonhos.

Certamente sonhei com isso por tudo que estão falando da guerra, juntando ao fato dos vídeos inéditos que vi, mesmo sem querer, da ponte que liga o MA ao TO que desabou no ano passado. As imagens pareciam ser feitas por IA, mas eram reais. E sempre vem aquele pensamento de como as famílias viram aquilo, a dor que elas sentem até hoje... isso cria um universo dentro de mim que me deixa um pouco deprimido.

Além disso, uma vidente famosa do Brasil, que tem mais de 17 milhões de seguidores só no Instagram, me impressionou muito com suas previsões assertivas. Essa semana mesmo morreu um ator muito famoso que ela havia dito que iria morrer, sem mencionar o nome dele, claro. Ela usou apenas "um ator famoso". Eu entendi o recado.

Talvez isso seja um alerta pra eu dar um tempo nessas publicações ou coisas que me impressionam. Por mais que podcasts me entretenham e façam o tempo passar, vídeos virais e feitos de IA também, ainda que interessantes, acho importante eu voltar a dar um detox. Preciso estar bem pro que está por vir.

😟

sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

OII!

E as chuvas começaram a aparecer, finalmente. Só que com o bônus vem o ônus, né? Nem sei se posso chamar de ônus, mas ao mesmo tempo que a chuva me faz bem, me traz um clima bem favorável (literalmente!) e uma nostalgia que gosto de sentir, vem também uma tristeza, uma carência e aquela ideia de que o ano acabou e eu não fiz nada... Mas eu sei que esse ano eu fiz muita coisa, só preciso pontuar. 😁

Nesse ano consegui ir ao show do Junior (!!!), consegui comprar um pedacinho de terra, consegui começar a fazer terapia, consegui me jogar mais para as pessoas, e sinto que estou vivendo, ou tentando viver, de uma forma bem madura, mas sem procurar magoar ninguém. Certo que ainda tenho as minhas brincadeiras, sinto que essas brincadeiras são uma troca: eu brinco, a pessoa ri e eu riu de volta – rs. Eu sei que tenho que ter muito cuidado com isso.

Percebi que a sinceridade comigo também vale muito. Eu tive meio que um rolo aí que eu estava me apegando, mas conversamos e a sinceridade valeu. Eu sei que vou me expor aqui com isso, mas, pô, tô sofrendo um pouquinho sabe – e, claro, tratando e tentando curar isso na terapia, apesar de não ter sido tão grave. Eu preciso me entender em certas situações e ligar o f*da-se pra coisas que são tão pequenas, mas que eu problematizo. Eu sou muito bocó e talvez um pouco emocionado. E EU NÃO QUERO SER ASSIM!!! ~ ou pelo menos não quero demonstrar. 🤭

(PAUSA PARA TERAPIA)

Voltei da terapia há pouco e fiquei, mais uma vez, com vontade de chorar. Mas não chorei – e sei que tudo bem se eu chorasse, né? Cada vez mais eu tenho certeza que essa foi a melhor decisão pra esse segundo semestre, se eu soubesse teria iniciado muito antes. O WB me ajuda em coisas que as respostas parecem ser tão obvias que fico até meio assim me sentindo um b*rro. “Por que eu não pensei por esse lado, hein!?”, “Por que eu não pensei nisso antes?” 🤔😔

Engraçado que antes da terapia eu escrevi "eu não quero ser assim" em caixa alta e levei uma advertência por isso do WB. 😂😂

(PAUSA DO TRABALHO, POIS ME OCUPEI)

Só pra finalizar mesmo, pois não queria deixar mais um post no rascunho, até que eu tenho ficado feliz. A minha frequência de choro diminuiu foi muito e minha vontade de viver novas experiências meio que está mais aberta, sabe. Não que eu faça algo que seja criminoso, mas para outras pessoas parece que seja – rs. Eu tô sentindo mais orgulho de mim. 😊

É isso!

Não sei se ainda volto aqui esse ano, até que pode ser que sim, mas já deixo aqui um ótimo Natal pra quem gosta e come muito, e uma virada de ano na paz e na tranquilidade. Espero que o meu seja da mesma forma. Viva!

🧔🏻‍♂️❤️

domingo, 20 de outubro de 2024

TERAPIA

Voltei!!! Sei que sempre digo isso, mas cada vez mais difícil de vir aqui. Confesso que nem é por falta de tempo, é por falta de motivação mesmo, de cansaço, de... sei lá! 😥

Acho que já estou pronto pra compartilhar deixar registrado aqui uma coisa: comecei terapia, de verdade. Não que das vezes que tentei foi mentira, mas não me sentia bem. As duas vezes que tentei fui meio que abandonado, me senti desconfortável e pra quê iria continuar algo que não me fazia bem, sendo que teria que ser o contrário?

Acho que foi no mês passado, não me recordo, que estava desabafando algo no meu dix quando o Rodrigo (amigo de e que conheci em São Paulo pessoalmente em 2017) me chamou respondendo os stories e me fazendo a pergunta que mais me deixava irritado quando me questionavam: "Tu já fez terapia, amigo?". Algo me fez manter a calma naquele momento e tentei explicar pra ele o porquê de não ter gostado da experiência. Ele super entendeu, mas ainda assim me falou da experiência dele nos últimos três meses.

Numa conversa informal, ele me disse que tinha um site com um monte de psicólogo disponível e que o preço era bem em conta. Curioso, mas sem esperança, pedi o link e dei uma olhada rápida. No mundo de hoje é normal ter que duvidar de tudo, dos golpes... de tanta coisa. Mesmo assim, tentei.

No site tem uns filtros que podemos escolher por especialidades e abordagem. Pronto, isso facilitaria muito a minha vida. Eu já sabia exatamente o que eu queria: um psicólogo homem – pois as minhas experiências com mulheres não foram tão legais; que tivesse a mesma condição que eu – entenda como quiser! 😉 – e que fosse da minha região – nordeste – observando o DDD do seu contato. Foi aí que, após escolher mais pelas especialidades que iria tratar, encontrei o WB, do DDD 86. Li todo a "bio" dele e mandei uma mensagem. Não demorou muito pra que ele me respondesse. Eu já havia montado um questionário na minha cabeça e pela ansiedade fui logo fazendo umas cinco perguntas. Achando que ele responderia de uma por uma, ele então sugeriu para marcarmos um encontro online nos próximos dias, que ele iria me explicar tudo, além de me conhecer, saber o porquê teria buscado e outras coisas...

Marcamos para 15h de uma quarta-feira.

Como eu não tenho privacidade em casa, obviamente tivemos o primeiro encontro no meu trabalho. Me organizei numa sala longe das demais, liguei o ar condicionado, pois eu sabia que ia suar muito, levei meu computador sem precisão, já que não deu certo e fomos pelo celular... Pronto! Ficamos em chamada uns 25 minutos ou mais. Ele foi super atencioso, me explicou como funcionava, qual abordagem usava e como era... Fiquei interessado e fechei com ele ali. Na verdade, não fechei de cara, mas eu só precisava me organizar um pouco mais financeiramente pra que desse certo.

Dias depois, foi pra valer. Fechei um pacote com ele e estou seguindo todas às sextas entre 12h e 14h, a hora que tenho paz no trabalho.

Sei que ainda está recente, mas já me percebo em muitas coisas. Ele me aponta de uma forma saudável que eu realmente me perceba e crie soluções pra caminhar bem. Até agora também, tudo que ele quer me dizer pra fazer, eu já faço e tento abordar de um assunto diferente a cada sessão. Por algumas vezes, antes de começarmos, não sei o que falar, mas quando nos conectamos na chamada tudo começa a fluir. Às vezes até me sinto culpado em não deixar ele falar tanto quanto eu gostaria, só que mesmo assim vai fluindo.

Com essa experiência, tenho trazido mais pessoas também. O Joanes, por exemplo, é um desses amigos. Por muitas vezes que conversamos, sabemos que temos problemas em comum e que queremos o nosso melhor. A gente também percebe que não estamos em paz com certos sentimentos, atitudes, convivências... Coisas bem particulares, sabe. As sessões dele também são semanais e é muito massa dividir essa experiência. Não que ele compartilhe comigo o que ele falou pro profissional, mas comentamos sobre a abordagem e o quanto tem nos feito bem até então.

Estou tendo isso como prioridade na minha vida. Como já mencionei, eu já percebi algumas mudanças em mim e queria também perceber de forma externa. Eu só quero ser feliz!

Até! 🙂

terça-feira, 9 de julho de 2024

CAOS MENTAL

Não queria que sonhos definissem o meu dia, mas hoje amanheci daquele jeito... E parece que quando vem daquele jeito, vem daquele jeito mesmo. 😵‍💫

Talvez eu preferisse que meus sonhos fosses de terror, de horror, mas é sempre com situações onde eu tenho que ter controle de algo. Não sei se já cheguei a registrar por aqui, mas os piores que tenho são aqueles onde passo vergonha, onde me atraso, onde eu sou surpreendido... Isso me faz um mal tão grande que não sei mais como definir. Eu entendendo que na vida real odeio pressão e irresponsabilidade, talvez por isso que do sonho transcende.

No dessa madrugada, tentei salvar uma artista da morte por descarga elétrica enquanto fazia um procedimento estético, mas não consegui. Em meio a gritos, procurei a caixa de energia geral, não consegui encontrar a tempo. O local era totalmente desconhecido por mim, por isso tive mais ainda essa dificuldade. No fim, a caixa estava numa parte alta da parede onde era difícil de se alcançar. Mostrei, alguém foi lá e desligou, mas acho que foi tarde demais. Isso me deixou tão mal... 😢 Eu sei que foi só um sonho, mas esse sentimento de não conseguir salvar alguém fica latejando aqui no meu coração.

Ontem, antes de dormir, resolvi “cutucar” algumas pessoas no Facebook – sim, eu também não sabia que isso ainda existia. Como estou sem Instagram, criei uma frequência no Facebook apesar de não ter mais nada lá de interessante. Queria chamar um pouco de atenção e até rir, assim como foi comigo quando o Rodarte me cutucou – rs. Cutuquei um amigo que sinto tanta falta e isso me deixou tão pra baixo, arrependido... Ultimamente falar com ele me deixa pra baixo. Não por culpa dele, mas por minha culpa mesmo. Eu me culpo tanto pelo meu jeito diferente de ser...

Esse meu amigo se permite a tudo, mas sinto que eu mesmo fiz ele se afastar de mim. Querendo ou não, não gosto das coisas que ele gosta. Ele se joga, vive, é dado, é gente boa... Já eu sou mais contido, tímido, triste e medroso. Eu sei exatamente por que sou assim, mas juro que não queria ser assim. O medo me encadeia tantas coisas... E parece que eu vou viver no mundo sozinho mesmo. É tão triste isso! 😔😔

Ele disse que vamos nos ver daqui algumas semanas e meio que sempre força (no bom sentido, é claro) algo que possamos fazer juntos, tipo ir a uma festa. Eu não gosto de festa! Eu não quero ir pra uma festa! Eu não quero estragar a noite de ninguém! Já imagino me forçando a ir e chegando lá eu ficar com a cara de c* ou até mesmo sem dar nenhuma palavra, totalmente desconfortável com o ambiente. Por que eu sou assim, Deus? Isso me maltrata tanto... Isso me deixa até sem vontade mais de viver.

😭😭😭
André de Carvalho

segunda-feira, 22 de abril de 2024

PORQUÊS

A gente pensa que os porquês só são feitos por crianças em uma determinada fase, né? Engano. Eu, com mais de trinta anos, ainda tenho tantos porquês.

Os meus porquês são mais em relação a mim mesmo. Às vezes ele é seguido até de uma resposta, mas aí vem outro por quê. “Por que você é assim, Anderson?”, “Por que você (não) gosta disso?”, “Por que você prefere assim?”, “Por que você (não) falou?”... E assim vai seguindo.

Essas perguntas geralmente me matam por dentro e fico tão pressionado em ter que respondê-las pra mim mesmo. A cabeça do ser humano... Ou melhor, a minha cabeça é bem complicada. Eu fico com medo de tudo, até de como as pessoas podem estar me vendo – sendo que eu mesmo sei que não preciso de aprovação delas.

Eu só queria viver a minha vida em paz e tranquilo, sabe. Só queria que as pessoas pudessem respeitar o meu jeito estranho, diferente e que não vai de encontro a uma pessoa normal.

Estou ciente que estou deixando de viver muitas coisas por vergonha e julgamentos, mas sei que isso não é desbloqueado do nada, como num estalar de dedos. É preciso ajuda e de tempo pra aprender a lidar com certas situações, e é justamente esse o meu medo: o tempo. Não sei se tenho mais tempo pra ser "consertado". Sinto que estou vivendo no automático... É um medo e uma pressão ao mesmo tempo.

Por quê? 🤔💭

terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

FRAGILIDADE > RESPEITO

Nem queria ter que vir aqui registrar isso, afinal, tudo ficará exposto, mas me senti com tanta vontade... Certas coisas preciso descarregar pra não surtar, como já sabem. 🥸
 
Então... Às vezes fico me perguntando o porquê de não ter muitos amigos, de achar que o problema está comigo, mas, às vezes, também, agradeço por estar só.
 
Quem é dos meus sabe o quanto tento ajudar, conversar e mostrar, talvez, algumas qualidades que tenho. Por mais que em alguns momentos me reconheça como uma pessoa ruim, a minha "ruindade" seja a forma de me precaver.
 
É muuuuito difícil ser diferente, ser a gente mesmo e até não ser nada ~ como é assim que me acho às vezes. Tenho fugido de tudo que me faz mal, mas tem horas que não tem mais como. Eu queria apenas ignorar, sair de perto, não responder, mas há situações que sou obrigado a ficar ali e aguentar tudo calado – e o pior é que, por mais que eu queira, não consigo me manter calado. Sou ser humano, preciso e tenho todo o direito de me defender também, né. Fico sendo instigado justamente pra isso. 😒
 
Nessa semana me incomodei com algumas falas de um "amigo”. Se não me engano, nos encontramos apenas duas vezes nessa vida, mas não chegamos a conversar por muito tempo nesse pessoalmente. Dessas duas vezes, as conversas foram de 5 a 10 minutos, se tiver sido bem menos que isso. Dias atrás, pela internet, começamos a conversar sobre organização e assim um papo foi puxando o outro, que veio outro, até chegar em minhas coisas pessoais.
 
Meus amigos mais próximos sabem que eu sou muito nostálgico, que amo guardar coisas antigas e que isso acaba fazendo eu criar um afeto e deixar meu coração aquecido, por mais que na maioria das vezes eu até chore querendo reviver aquilo. Mesmo assim, o sentimento de nostalgia me traz um ar de que estou vivo, que estive vivo e que cada vez mais quero criar memórias para no futuro sentir o mesmo. Deu pra entender?
 
Em um dos pontos descrevi o que guardo em todas as gavetas da minha cômoda, até que disse que na quinta e última gaveta, guardo camisas que não consigo dar pra alguém, que têm valor sentimental. Ou seja, por exemplo, nessa gaveta tem uma camisa branca com a estampa do Doug que ganhei do Murilo de presente de aniversário muitos anos atrás; também tem uma camisa preta com vermelho, acho que nem é de marca, que ganhei de um amigo também virtual, o Lucas, com muito mais anos atrás, além de outras. Nisso, ele solta o seguinte:


A pergunta já me deixou meio “aí vem coisa”, quando o textão seguinte me machucou mais ainda. Sabe quando a gente recebe uma opinião sem a gente pedir? Frases descritas “não acho isso normal”, “uma terapia pra falar sobre” me deixaram com tanto sentimento misturado: chateação, constrangimento, vergonha, raiva... Difícil explicar todos os  sentimentos, né!?
 
Tentei mudar de assunto com humor – algo que nem tenho nessas horas, mas tento forçar – dizendo que assim como estranham um cara de 33 anos ainda escrever diário. Aí a conversa foi ficando mais desconfortável ainda.
 
Tentei explicar que é legal ser diferente, que o quanto seria chato se todos nós fôssemos iguais e gostássemos da mesma coisa, foi aí que ele disse que o assunto estava me incomodando e que não iria mais tocar nele, me pedindo desculpa. Viu? É aquilo que eu sempre falo: quando eu estou desconfortável, não consigo disfarçar. E ele percebeu. E eu, burro, ainda tentei me fazer de forte e que aquilo não estava me abalando: “Que nada, não me incomoda. Legal é ser diferente, isso que é interessante. Isso faz a gente ver um novo mundo”.
 
E aí que a macetada foi bem maior! 🤯
 
“Te vejo um cara tão inteligente, tão focado, mas aprisionado na própria mente!”. Isso é coisa que se fala pra alguém sem saber de nada da vida e o que ela já passou? “Fico imaginando o quanto você seria mais feliz se vivesse com mais independência...” CARAAAA!!! Li isso com lágrimas nos olhos.
 
Tentei finalizar o papo dizendo: “A gente teria que ficar mais próximo pra entender um o lado do outro sabe? Em outros contextos, os porquês.” E finalizou com a frase que mais odiei e que fez com que eu quisesse que parasse por ali: “Você foge da terapia como o diabo foge da cruz!”, e riu. MERMÃO DO CÉU!!! 😠😭
 
Trocamos de assunto, mas aquilo ficou na minha cabeça.
 
Não é a primeira vez que conversamos e que no final ficamos num papo onde opiniões são diferentes e não são respeitadas. Se torna desconfortável, às vezes, conversar com ele. Eu gosto dele, eu sei o que ele passa na vida dele também pelo que me diz. Nunca fui de julgar ele, pelo contrário, fui de tentar dar soluções, de ajudar, tendo todo o limite que posso ter com uma pessoa que também tem as suas fragilidades.
 
Apontar coisas sem saber de fato é difícil. Não posso dizer que não aponto... Sim, às vezes pode acontecer, afinal, não sou perfeito, mas reconheço que quando a carga vem pra cima da gente o peso é bem maior. Paciência. 💆🏻‍♂️
 
Com tudo que ele me falou, absorvi e tentei filtrar: “Não, não sou isso, não sou aquilo. Eu não posso ligar. O cara nem me conhece totalmente, ora”. E fico pensando também que ele falou pra me ajudar, pro meu bem, mas que não teve a forma certa de se expressar ou de procurar saber das coisas. Fiquei muito triste, claro, mas é isso, o que posso fazer? Tenho que conviver com o que as pessoas acham ou pensam, eu sei que também tenho minhas teorias sobre tudo e sobre todos, a minha imaginação vai a mil, mas na maioria das vezes me contenho e procuro ouvir, pergunto, pra tentar tirar minhas próprias conclusões.
 
Não preciso passar por isso, mas também não tem como correr. 🤷🏻‍♂️
Wanderson Rebelo

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

PAI

Essa é a primeira vez que abro, literalmente, meu diário pra mostrar aqui...

Quem já é meu leitor de muito tempo, ou que acompanhou os últimos posts, sabe que eu não tenho só aqui pra desabafar. O meu principal, e desde 2005, é o diário físico. Nele sinto mais liberdade de escrever, pois sei que o acesso não será tão fácil quanto aqui.

O que vou contar aqui – e que contei nele – foram os fatos da segunda-feira (12). Algumas coisas terei que esconder por serem escritas muito pessoais, mas garanto que 90% será registrado logo abaixo. Os fatos não estão tão detalhados e nem na ordem, pois a minha cabeça estava a mil. Penso que mesmo assim vai dar de entender. Vou tentar ser o mais fiel.

Para deixar claro na leitura, somente os trechos em itálico são os escritos do diário. O restante foi acrescentado por mim na medida que lembrava dos detalhes.
 
Paciência e vou começar agora.


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12/02/2024, SEGUNDA-FEIRA
 
Difícil começar a escrever hoje aqui, mas sei que é necessário. Acordei com Joelma batendo a porta do meu quarto. Eu já imaginava que notícia seria. A tia já estava “acudindo” a mãe que não parava de chorar. O meu pensamento era no Eduardo. Como eu iria explicar aquela situação?

Joelma, meio desorientada, vendo que eu já vi a mãe chorando, disse que o Dayson, meu irmão, pediu pra que eu ligasse pra ele. Certamente ela já sabia, mas não queria me dar de cara a notícia. Liguei pro Dayson que logo me atendeu. Na verdade, só depois soube que eu falei com o Alyson, meu irmão mais novo. Nossas vozes são todas parecidas e juro que naquele momento não consegui identificar. Na minha cabeça, a voz que falava no fundo do telefone era a mesma que falava comigo.

Acho que o Alyson que me informou tudo e eu não tive tanta reação. Ele falou: "O pai faleceu nessa madrugada!". Completou dizendo que estavam organizando as coisas e que iria me ligar de volta se precisasse de algo. Fiquei sem reação e desligamos a chamada.

Voltei pra sala pra ver a mãe, que não parava de chorar. A tia tentava confortar o máximo, mas já vimos essa mesma cena sete anos atrás quando minha avó faleceu. O choro era alto e isso maltratava o coração da gente por ali.

Por algumas vezes eu fiquei parado, imóvel, tentando entender a situação. No fundo eu sei, de fato, porque (ainda) estou sem o meu coração ficar acelerado ou ainda não ter chorado. Só fico me perguntando o porquê de estar assim.

Em instantes, a casa foi tomada de pessoas. A maioria das pessoas já estavam sabendo e começaram a organizar a casa pra receber o corpo. Foi numa rapidez tão grande que, na minha cabeça, em 5 minutos a casa já estava limpa, vazia e organizada. Isso meio que me assustou.

Aproveitei que mesmo ainda não tendo muita gente, arrumei o quarto rapidinho, limpei algumas coisas, pois sabia que não ia sair de dentro dele quando o corpo do pai chegasse. Assim como não vi, em 2017, a minha avó no caixão, não queria ver o pai. Inclusive, tentei me preparar psicologicamente pra insistência das pessoas que não entendem e nem aceitam as nossas escolhas.

Fiquei do lado do Eduardo até ele acordar. O sono dele é um pouco pesado porque diante de muito choro alto da mãe e barulho de pessoas transitando a casa, ele continuava ali sonhando.

Não sei exatamente que horas ele acordou, mas quando acordou, comecei a conversar com ele:

– Oi, Du! Dormiu bem?, falei segurando o choro e pedindo a Deus as palavras certas.

Ele confirmou com a cabeça que sim.

– Preciso contar uma coisa pra você... Você vai ver a vó chorando... O seu avô foi morar no céu, ele não vai mais morar aqui com a gente.

Ele fez uma cara fingindo um espanto e deitou rápido na cama. Ele ainda não entende.

Pedi pra que ele cuidasse da vó, obedecesse... Ele ficou só confirmando.

Pedi pra ele levantar pra tomar banho, peguei na mão dele e abri a porta do quarto. Quando ele olhou tudo vazio, ele: "Nossa, a casa está bem vazia!". E segui com ele pro quintal.

Fui com ele ver a plantação de milho, depois dei banho nele. No banho ele me contou que havia sonhando com o Pokémon. Ele se vestiu depois, preparei o leite dele na mamadeira, ele tomou, e tivemos outra conversa.

– Du, você entendeu o que falei sobre o seu avó?

Ele riu e disse que esqueceu, enquanto escondia o rosto debaixo do travesseiro da cama do Dayson.

Eduardo, o seu avô foi morar no céu, por isso que a sua avó está chorando.

Aí ele:

– Quer dizer que agora só vai morar aqui eu, a minha vó, você, o Dayson e o meu pai?

E eu disse que sim. E foi aí que ele me surpreendeu:

– Peraí, o meu avô morreu?

Confirmei com a cabeça, ele fez uma cara real de espanto e ficou olhando pros lados com uma pausa grande de silêncio, tentando assimilar o que estava sendo dito.

Nunca imaginei que fosse dar uma notícia dessas pra ele.

Eu não esperava que ele fosse ter uma reação exagerada mas também não esperei que ele fosse ficar normal. Achei que ele iria ficar triste. É... apesar de já ter 6 anos, ele ainda não entende muita coisa.

A tia (Jesus) sempre é a tia que a gente nunca teve. Ela nos ajuda em tudo e é muito apegada ao Dayson. Eu acho incrível a força que ela tem. É uma mulher de se admirar e de desejar só coisas boas na sua vida. Ela fica sempre a frente de tudo, sempre prestativa e verdadeira. Posso dizer que o nome dela é "resolução". Não há dificuldade e tempo ruim pra ela. Precisou, ela está lá, mas sempre sendo justa.

Agora, 11h04, as coisas estão normais. A mãe não está chorando. Muitas pessoas estão conversando com ela e ouvi até umas risadas. Tenho certeza, porém, que quando o corpo do pai chegar vai ter muito choro.

Ontem antes de dormir perguntei o Dayson como o pai estava e ele disse que com muita dor na perna que fez com que ele até chorasse. Disse que a enfermeira aplicou medicação e que depois de 10h iria aplicar novamente.

Eu sei que tô contando tudo fora da ordem, mas é o que a minha cabeça vai lembrando.

* * *

💙 Infelizmente não tive uma vivência com o pai. A gente não era de diálogo, de afeto ou qualquer relação afim. Por alguns anos tentamos por conta do trabalho, mas a gente não conseguiu se alinhar.

Não sei quando se deu esse ponto de partida, não saberei jamais agora. Fico pensando que talvez seja (...). Não sei se ele criou expectativa em mim e possa ser que eu até o decepcionei.

Foi muito estranho não termos uma relação de pai e filho. De não ter abraço, amor, cuidado... Isso me faz lembrar o que nunca esqueci na vida. Quando eu era criança, acho que tinha a idade do Eduardo hoje, uns 6 anos, mãe comprou uma caneca pra dar de presente pra ele de aniversário ou dia dos pais, não sei. Só sei que ele me pegou como eu pego o Eduardo hoje em dia: por debaixo dos braços, levanto e abraço. Eu lembro até hoje desse abraço e do cheiro da roupa após um dia de trabalho de vigilante na fábrica.

Certeza que herdei muita coisa legal do pai: a letra bonita, a organização, o cuidado e... posso dizer que um pouco da paciência?

Ele sempre engoliu muita coisa dentro dessa casa e arrisco que a bebida tenha sido a válvula de escape.

Quando eu era pequeno lembro que via ele fumando e até comprava cigarro pra ele com apenas uma moeda de R$ 0,05. Com o tempo, ele, por vontade própria, decidiu parar. Era assim que esperava que fosse com a bebida, que um dia ele fosse parar. Não parou!

Nos últimos meses vi o pai mais velhinho, caminhava mais lento, cabelo e barba branca, assistindo canal religioso e na maioria do tempo dormindo. Eduardo sugava a energia pouca que o pai ainda tinha, mas sei que ele gostava.

Jamais quero esquecer, por isso registro aqui, quando o Eduardo, de pé no sofá, abraçava o pescoço do pai por trás enquanto se acabavam de rir de vídeos engraçados de bois atacando pessoas na arena. Não lembro se filmei esse momento, mas acho que não.

Espero que em 6 anos o Eduardo possa entender que foi feliz com o avô dele. Vou tentar sempre manter as lembranças boas... Parei e pensei aqui em como será daqui pra frente. Sei que não somos eternos, mas se adaptar a uma nova vida não é fácil.

Quero tirar um aprendizado de tudo isso, quero ser igual o pai, com todas as suas principais qualidades. 💙

* * *

Por aqui, deixo registrado esse momento. Que possamos seguir firmes nessa vida e que o amor, compaixão e paciência caia sobre essa casa e em mim também - eu sei que preciso demais.

O dia vai ser longo... Deus, ajuda a mãe. Eu não tenho força pra nada!

11h41

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O corpo do pai já chegou por aqui. Ouvi o desespero da mãe, mas até que foi rápido. Não tenho ideia de quantas pessoas têm ali na sala e a minha ideia é ficar aqui dentro desse quarto até que isso acabe.

Acabei de perguntar pro Dayson com quem que a mãe está conversando, e ele acaba de me dizer que com a vovó, mãe do pai, graças a Deus!

Espero que sempre tenha alguém pra conversar com a mãe, certeza que sozinha ela vai começar a chorar.

A Karen tá aqui no quarto comigo, eu também não quero ficar sozinho, pois sei que o meu pensamento vai começar a voar.

O clima aqui tá estranho, não vejo a hora de tudo isso acabar.

13h45

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Karen acabou de sair daqui. Foi a primeira que veio. Depois dela a Juliana apareceu, depois a Jessica, o Jardel e a Elciane. 

Juro, eu tô normal. A ficha ainda não caiu de fato. É muito estranho o dia de hoje. Diferente do dia da minha avó, o silêncio paira mais por aqui.

(...)

Tive que ficar registrando aqui enquanto tô só. Não posso deixar os meus pensamento tomarem de conta senão vou querer chorar.

Sobre chorar, enquanto tem gente aqui conversando com ela, a mãe, ela para de chorar, mas tenho que me preparar pra amanhã às 6h quando for a hora do enterro.

Escrever isso me dá uma dó tão grande, pois as coisas vêm na cabeça e caio na real que o corpo do pai está ali na sala.

Queria muito agora o abraço do Eduardo, ao mesmo tempo que não quero que ele esteja aqui vivendo toda essa situação. É certeza que ele está se divertindo agora e é assim mesmo que sempre quero ver ele. (Eduardo estava na casa da minha cunhada desde antes do corpo chegar em casa)

Meu coração começou a doer agora, pois sei que tenho que encerrar essas linhas por ora. Que esse dia acabe logo!

18h19

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Joellcy acabou de vir aqui no quarto me avisar que o Eduardo chegou. Pedi pra ela dizer pra ele vir aqui.

Dessa vez ele chegou com um semblante mais triste e automaticamente, me abraçou. Eu senti aquele abraço gostoso e falei:

– Você tá triste? O que eu falei hoje de manhã?
– O meu avô... (começou a embargar a voz) O meu avô está no céu...

Chorei junto com ele enquanto sentia o abraço. Olhei rápido pra minha prima com sua mão ainda no trinco da porta e ela também começou a chorar vendo aquela cena. Agora essa cena fica registrada na minha memória.

Logo, ele viu um "sorvetinho" que trouxeram pra mim, comeu, esqueceu e saiu, só que antes de ir disse que não iria dormir comigo, mas com a Fran.

Com detalhes:

Do meu lado tinha um pote de biscoito, "sorvetinho", vende na padaria, que a Karen trouxe mais cedo pra eu comer. Ao ver, rápido ele esqueceu o que aconteceu. Sem pedir, pegou o pote, abriu, comeu o primeiro "sorvetinho" e depois pegou mais um. Queria sair com pressa de dentro do quarto, com medo da Fran (minha cunhada) deixar ele, já que ele estava esse tempo todo brincando na casa dela.

Você não vai dormir comigo hoje?
– Não, eu vou dormir na casa da Fran.

E saiu.

Só depois Joellcy me disse que ao entrar em casa, antes de me ver, e passar pela sala, ele ficou olhando pro avô dele no caixão meio assustado, sem entender. Ao sair do meu quarto, parou e olhou novamente. Imagino o olhar curioso dele, mas certeza que essa lembrança ele vai esquecer rapidinho. Assim espero.

19h45

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No dia seguinte, após chegar do cemitério, não tive forças pra escrever mais no diário. Eu até que queria, já estava de plano, mas preferi não.

A primeira frase que iria registrar lá era: ACABOU! O meu sentimento de luto dura muito, eu não demostro, mas não via a hora de passar todo esse tempo. Antes mesmo disso acontecer eu já queria que o tempo passasse pelo carnaval. O sentimento de tristeza estava passando pela casa, estava ruim já ficar dentro do meu quarto direto.

Um pouco mais de 23h, Vitor, Ozana e Milene apareceram. Confesso que me surpreendi, mas eles conversaram muito comigo. Conversaram de tudo, menos muito sobre o pai. Tudo bem, eu queria mesmo era me distrair ali. Por alguns momentos fiquei pensando em tanta coisa que me deu um sono. Até que eu estava gostando deles ali, mas senti que queria dormir.

Um pouco mais de 00h eles foram embora e, com a Karen deitada e pronta pra dormir na cama do Dayson, fiquei um pouco no celular enquanto conversávamos. Minutos depois, Dayson apareceu, apagou a luz, deitou com ela e dormimos.

O meu sono foi pesado, pois não ouvi mais nada e só acordei um pouquinho depois das 6h quando vi o Alyson chamando ele, Dayson.

Lavei o rosto, molhei o cabelo e me preparei pra caminhar em direção ao cemitério.

Não tinha sol. Aparentava estar frio, pois estava nublado, por isso peguei um casaco e usei. No meio do caminho, acompanhando o caixão, tirei o casaco e coloquei no ombro. O clima começou a ficar abafado e comecei a suar.

Subimos uma ladeira do cemitério, colocaram o caixão pra fora do carro, e depois no buraco. Achei que naquele momento a mãe iria se desesperar assim como foi no dia da minha avó, mas me surpreendi. Ela chorou contida, alguém estava abraçando ela. E assim aplaudiram.

Fiquei de longe vendo aquela cena, não tive coragem de ficar próximo sentindo aquele clima de tristeza. O quanto eu puder não absorver essas coisas, tento fugir.

Vi a última par de terra sendo colocada, o contorno de pedra, a cruz feita na hora e a coroa de flores sendo colocada pela minha avó, Alyson e Dayson. A vovó é forte, ela é vivida, por mais que seu olhar fosse de tristeza. A minha vontade era de abraçar ela ali, então antes dela entrar no carro, sem ela ver, peguei na mão dela e abracei. Ela me abençoou e falou algumas coisas de amor.

Voltamos pra casa a pé. Karen e eu pegamos carona ainda próximo do cemitério.

Em casa, lavei os pés, acho que tomei um banho e dormi.

Por mais que eu tenha sido um dos únicos que ficou ali tranquilo o tempo todo, no conforto do meu quarto, na minha cama, minha cabeça estava a mil, portanto um cansaço mental. Por conta disso, como já suspeitava, tive um pesadelo: Eu estava na sala de casa enquanto acontecia  um apocalipse. Várias bolas de fogo estavam caindo na terra e muita gente gritando. Como eu já sabia que iria morrer, peguei o Eduardo nos braços e disse que amava muito ele. Até que tentei desviar dessas bolas de fogo e nesses nessas tentativas, vi minha avó materna, a Bó. Eu corri pra abraçar ela e automaticamente saiu um "eu te amo" de mim. Senti o corpo magrinho dela no abraço e em seguida acordei assustado.

Hoje (14), o clima lá em casa melhorou. Meus irmãos mudaram um pouco a casa, consertaram algumas coisas, lavaram as louças (eu também fiz isso e até o Eduardo pediu pra aprender como lavar e lavou os pratos dele)... A mãe está mais ativa e aqui e acolá lembra do pai, mas dessa vez sem choro. Não tem como esquecer da noite pro dia, né?

Aqui estou eu, às 14h40, no trabalho entre as demandas e este post.

Só o tempo vai se encarregar de nos confortar dessa dor que vivemos esses dias. Deus sabe o que faz e o Dayson disse que isso realmente teria que acontecer, pois o sofrimento seria bem maior aqui na Terra. O sofrimento dele aqui com certeza seria de todos nós.

Obrigado por ter lido até aqui e obrigado a todos que foram me visitar em casa.

Obrigado, pai, Manoel Antônio José da Silva. 🖤

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

NINGUÉM É SANTO

Eu lembro tanto tudo que ouvi você falar pra mim. Pro meu espanto, o seu cheiro ainda me provoca assim. É tão estranho, não faço planos, mas volto a te encontrar, me encontrar, me afogar, sem pensar, me entregar. É tão estranho... Mas ninguém é santo. 🥺

Eu não deixo nada pra depois, não faria isso com nós dois. E toda vez que eu cedo a gente encosta a pele, o sangue ferve, fora isso eu não sinto nada. Nada! 💔❤️‍🔥

terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

PREOCUPAÇÃO

Cheguei a um momento em que tudo na minha vida me espanta, me assusta... 🫨

Uma chamada perdida da mãe, uma notificação do WhatsApp do meu irmão, alguém aparecendo aqui em casa do nada perguntando por mim, alguém dizendo que quer conversar comigo... É algo que já me deixa preocupado e faz com quê eu crie mil e uma coisas na cabeça. Tento o máximo comandar minha cabeça, uma hora até brigo dentro dela, podem acreditar. Em dias que estou impaciente, com mil coisas, preocupações e tudo mais, antes de dormir, travo uma briga comigo mesmo. É louco dizer isso, mas eu mando eu mesmo calar a boca, como se isso resolvesse paralisar os pensamentos. Isso me deixa com uma raiva tão grande e um desgaste que nem sei como explicar. 😫😩

Já vi que esse mês de fevereiro vai ser uma prova na minha vida. Já disse várias vezes que sou fraco e essa fraqueza me causa um medo tão grande. Penso que a qualquer momento da vida posso cair e nem voltar mais, ainda mais sabendo que está sendo comum jovens morrerem de infarto.

Há coisas na vida que me movem, são besteiras que me apego pra poder viver, mas tem dias que se torna tão difícil e temo que essas "besteiras" acabem se tornando rotina, por isso, sempre tenho que procurar coisas novas pra inventar. Para terem ideia, fui atrás de milho pra plantar no quintal de casa com o Eduardo.

No diário ultimamente tenho escrito muito. Do nada quando vou ver, já vomitei quatro páginas brincando. Escrevendo e colando adesivos meio que serve de terapia... Me acalmo com aquilo, é quase que literalmente tirar um peso da minha cabeça. Quando coloco tudo pra fora, fecho ele e guardo, parece que realmente aquele sentimento saiu de mim; assim como agora, escrevendo isso aqui. Quando publico, desligo o computador, fecho, e por horas esqueço da situação. Comentando sobre isso com alguém que nem lembro agora, ela me disse que é como se fosse uma pessoa que somente me escutasse sem falar nada, sem os julgamentos. Realmente é! 💡

Meu trabalho tem me distraído muito. Por mais que eu reclame de inúmeras coisas, lá é onde passo a maior parte do meu tempo me distraindo. Sei que trabalho é trabalho, mas é bom me distrair com isso. Tenho tido prazer em resolver problemas, atender pessoas e até conversar sobre algumas experiências pessoais com elas. Ter esse relacionamento realmente tem sido saudável pra mim. 💆🏻‍♂️

O clima em casa continua do mesmo jeito, mas desde que meu pai ficou doente agora é de preocupação, de silêncio - que até é bem estranho pra quem mora em uma casa zoadenta. Nessas últimas semanas, tenho ficado mais tempo próximo do Eduardo ao mesmo tempo que quero que ele fique perto do avô dele. Diariamente ele solta umas pérolas que me fazem ficar impressionado do quanto ele está crescendo e sendo observador, além de me fazer rir em várias dela. Por mais que eu diga que ele tem cama, ele sempre quer dormir aqui comigo, abraçado. Eu amo de verdade sentir os braços dele no meu peito enquanto mexo nos cabelos cheirosos dele até pegar no sono. 🥰

Esses dias perguntei como estava o avô dele e ele disse que bem, que sempre leva água quando ele pede e que a "minha avó" (é tão gostoso ouvir isso vindo da voz dele) leva suco de laranja e comida também. Comemoro as atitudes dele e seguimos brincando ou fazendo qualquer outra coisa pra desviar a atenção dele das telas. Eu sinto orgulho dele, sabe, eu acho que estou educando ele bem e torço demais pra que ele me ame de tal maneira que repita sempre pras pessoas o que ele nos últimos dias tem dito pra mim: "Você é o tio mais legal!". 😉 Certeza que crio memórias afetivas e vez ou outra ele lembra de algo que eu mesmo nem lembro. Por exemplo, hoje quando estava dando banho nele, ele me lembrou: "Quando eu era criança (sendo que ele ainda é) você lembra que você me banhava na pia?" E isso me fez voltar no tempo. Na mesma hora lembrei e me deu uma nostalgia de quando ele era bebê...

Enfim, sempre me empolgo ao falar do Eduardo. Espero muito que ele seja uma pessoa do bem e que me dê muito orgulho. 👦🏻❤️

Mas voltando... Hoje pela manhã a minha cunhada me liga. Ela me falou com toda calma do mundo a situação atual do meu pai, que nem é boa, é grave. Eu nunca sei o que falar nessas horas, mas lembro que em um momento disse que eu sou fraco pra essas coisas. Ela disse que também é. Então disse pra ela comentar com o meu irmão, o Dayson, sobre. Dayson é mais paciente, muito mais forte e corajoso do que eu. Eu queria mesmo era entender um dia por que sou assim, um pouco contrário dele. Minha cunhada me encaminhou os áudios do médico explicando de forma técnica o que estava acontecendo e pediu para que internassem meu pai o mais rápido possível e que fosse acompanhado por um cardiologista de plantão.

Mais tarde, à tarde, por mensagem, conversei com o Dayson sobre o que estava acontecendo. A gente não têm conversado muito pessoalmente, mesmo estando grudados sempre nos mesmos horários, dividindo o mesmo quarto. Nas mensagens ele me explicou a urgência e disse que ia fazer o que tinha o que fazer e eu disse que o que precisasse eu estaria ali - imaginando que ele entendesse que da minha forma, longe de  hospitais ou de situações que pudessem fazer com que eu ficasse mais fraco ainda. Talvez ele não entenda essa minha fraqueza, mas se um dia ele ler isso daqui, ele vai acabar encaixando as peças de muitas coisas.

O fato é que meu pai está em Teresina agora, foi às pressas com meu irmão mais novo e agora há pouco nossa mãe veio aqui no quarto informar que ele está internado, aguardando um médico específico. Desde cedo a gente sabia de tudo, mas sabendo como nossa mãe é nervosa, preferimos não comentar pro bem mesmo dela.

Não sei quanto tempo o pai ficará de observação, se vai precisar de cirurgia ou qualquer outra coisa. Isso tem me tirado o pouco do sono... Nem sei como vou fazer esses dias... 🥺

Preciso caminhar pra cansar, mas não tenho coragem de sair à noite com essa violência e assalto constante na cidade. Vou procurar desviar o máximo que puder.

Que tudo se resolva o quanto antes.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

FÉ... VEREIRO

Fevereiro acabou de começar e senti uma dor de cabeça do estresse. 🤯 Será que esse negócio de virada de mês realmente tem alguma coisa a ver ou alguma resposta pra dar? Se esse fevereiro for depender dessa dor de cabeça de estresse que sinto agora, p*rra, queria dormir e acordar só em março.

Voltei a ter a dr*ga dos pesadelos de novo. Sempre há algum gatilho que faz com que todos possam vir. Sonhei com assassinatos, acredita? Geralmente não sonho com coisas sangrentas assim, mas dessa vez... Meus pesadelos são de vergonha, de momentos de constrangimentos, de pressão... São pesadelos que realmente me deixam mais angustiados do que de "terror".

Ontem, na virada do ano desse mês, dormi minutos depois de 22h. Decidi que ia dormir cedo e f*da-se o celular. Deixei ele de lado carregando, fiz a melhor posição pra pegar logo no sono e tentei mentalizar coisas que me fizessem bem pra eu tentar dormir logo. Confesso que algumas vezes... (que vergonha!) conto até carneirinho. Eu fico imaginando a cena e contando mesmo. Acredita que dá certo? Pelo menos eu nunca lembro o número do último que pulou a cerca - rs. Então dá mesmo certo, né!? Uma pena que isso não me livra de pesadelos. Lembrei! Preciso voltar a orar antes de dormir. Por que eu esqueci disso? 😬

Dessa vez, olha o nível do pesadelo besta que tive, mas que, pra mim, é pior do que sonhar algo de sangue, terror e coisas horríveis da vida. Simplesmente no sonho eu comi um hambúrguer de alguém antes da pessoa chegar. O sentimento de fazer a coisa errada, de pegar algo sem permissão, de não ter como voltar atrás... isso me agonia de tal forma que... eu fico me sentindo culpado, podre, sem noção. Coisa que na vida real eu pago pra não fazer. Sim, eu sei, não sou santo, mas o quanto eu puder evitar isso na minha vida, vou evitar!

Nos últimos meses, não sei se já falei aqui ou se foi no Instagram, no diário... em algum lugar eu falei! Eu nunca me senti tão só na minha vida como ultimamente. Lógico, estou com alguém quase que direto, diariamente, mas meio que não tenho toda aquela responsabilidade, sabe, tenho que ter limite. Estou curtindo, mas ao mesmo tempo não queria curtir, queria um basta, ao mesmo tempo também que me faz tão bem, que me diverte, me tira da minha bolha diária de estresse. Meu Deus!!! Eu não posso mandar em ninguém e não quero que ninguém mande em mim!!! Eu tenho saudade mesmo é de um amigo que me tire de tudo, que eu possa falar tudo, conversar coisas sérias e besteiras também. Preciso sumir! 😭

Por dois dias, tomei chá antes de dormir. Me indicaram a tomar chá. Essa minha amiga até me levou umas ervas (sem brincadeira, viu) e eu preparei da forma caseira que minha avó sempre fazia. O primeiro foi com açúcar, mas depois pesquisei que o açúcar tira algumas propriedades que o chá tem. Na segunda vez, provei sem açúcar e até que tomei tranquilo. Achei que não ia gostar tanto, mas não achei ruim, não. Fiz esse registro, inclusive, lembrando de uma foto conceito que vi pela internet uma vez:


A intenção da foto nem era biscoitar, mas pareceu mesmo - rs.

Olhando essa foto, deixa logo eu comentar: sim, engordei. As pessoas meio que não percebem isso porque estou usando camisa G ou GG pra me sentir mais livre, folgado, ainda mais nesse calor. A minha barriga não está tão enorme, mas eu estou mais cheinho, sim. Os meus "culotes" já estão mostrando dos lados, minha barriga bem saliente, mas até que eu acho bonitinha... Tô curtindo, mas não sei até quando. 🫃🏻💙 Esse é o ônus e o bônus de quem se casa. 

Mas é isso, vamos enfrentar esse mês de FEVEREIRO com FÉ. Deus está comigo, assim como Ele está contigo. Espero voltar aqui o mais breve possível ou pelo menos uma vez por mês, porque, né, gosto daqui.

Até depois! 😙

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

TÔ LEVE

No sábado (10), à noite, por ironia do destino, esvaziei um dos sentimentos que tenho há alguns anos. Com a pandemia, não só por obrigatoriedade do momento, me afastei de muita gente, inclusive daquelas que faziam com que minha cabeça ficasse um pouco perturbada.

Eu não sei desfazer das minhas poucas amizades, tampouco das pessoas que não me fizeram nenhum mal de forma proposital. Quem me conhece sabe muito bem que quem me faz mal, não vê nem a minha cor mais. Pra quê vou ficar perto de gente desse tipo?

Então, vou tentar poupar detalhes aqui porque a exposição é grande, sei lá, e eu tenho consciência que juntando as pessoas a gente consegue chegar em quem a gente quer descobrir. Falo isso por mim mesmo, pois sou atento a detalhes desde sempre e encaixar peças é comigo mesmo. Não sei se isso chega a me confortar ou a me decepcionar. Na verdade, descobrindo algo, fico só pra mim até a história vir à tona.

Então, como em todos esses dias, fiquei vendo os blocos passarem aqui na frente da casa do pai do Dalton. Me arrumava pra ficar, literalmente, dentro de casa. Nisso, comecei a conversar com alguém que me afastei desde o primeiro semestre de 2019, acho que um pouquinho antes da pandemia. Motivo: estava gostando e não percebia o retorno que eu queria. Tive que aguentar tudo calado, aguentar sonhos e pesadelos e evitar o máximo fazer com que nos encontrássemos na rua - o que era inevitável. Nosso papo foi fluindo e comecei a perceber uma vontade de desabafo da sua parte. Segui falando o que achava e, assim como já havia dito semanas atrás, reafirmei que teríamos que nos ver pessoalmente. O nosso encontro teria que ser longe de tudo e de todos para que ficássemos bem à vontade. Acabou que não rolou ainda, mas combinamos, por enquanto, de mais tarde fazermos uma vídeo chamada.

Após as 22h, cheguei em casa, tomei banho e nos ligamos.

Na ligação, contei um pouco de tudo que estava engasgado dentro de mim. Confirmei que estava apaixonado, que eu via isso e aquilo e sabia de coisas sem a maior pretensão de saber; as coisas vinham a mim sem eu mesmo perguntar. Falei dos sintomas que tive, sonhos, pesadelos e até uns pedidos de ajuda que fiz.

Enquanto contava tudo, sentia o nervosismo, mas não cheguei a gaguejar ou a me perder tanto nas palavras. O silêncio da parte de lá me maltratava um pouco, mas eu sabia que no final eu não iria receber nenhuma palavra de conforto. Já sabendo disso, pedi apenas que me ouvisse e que não falasse nada, afinal, não quis atribuir a culpa, pois o culpado de tudo fui eu mesmo. Fui eu que passei por isso. Ainda bem que não parei a minha vida.

Durante esse papo também falei que tive que silenciar as suas redes sociais... No fim, acho que fui entendido. Falei que eu amava e que não queria, e que teria certeza que nada mudaria entre a gente, porque se até hoje não mudou, por que iria mudar? Falei que sorte demais as pessoas que têm ao seu lado e que não merece jamais passar por nenhum mal.

Juro, a melhor coisa que eu fiz. Talvez pessoalmente eu ia desandar em choro, mas aproveitei essa oportunidade. Estou leve do vazio que eu tinha.
Aécio Martins
🪶🧔🏻‍♂️💓

segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

UM TCHAU

Queria muito poder me ver por fora. Saber as minhas impressões e meus rostos no dia a dia... Queria me compreender e saber onde estou sendo falho e errando. Nunca consegui esconder as minhas expressões, mas queria muito saber maquiá-las. Não queria que ninguém percebesse ou que eu conseguisse ignorar as coisas que me afetam. Até que tenho conseguido em algumas partes, mas outras me tiram até o sono.

Enquanto digito isso, me sinto culpado por tudo que tenho feito e falado durante toda a minha vida. Por mais que eu busque a perfeição - que nem existe, eu sei -, tento evitar todos os conflitos externos e, principalmente, internos que tenho. É muito ruim saber que você está ou pode estar fazendo o mal pra alguém, não de forma direta, mas na palavra, no gesto e até na expressão.

Não sinto mais vontade de viver!

😭

sábado, 5 de novembro de 2022

NÃO CAMINHEI

Sei lá, não sei se é fome ou só tristeza mesmo, mas estou tão down agora. 🙁

Já havia comentado aqui do início da minha caminhada. Desde quando comecei, não deixei mais. Aliás, fiz o máximo pra não faltar um sábado ou domingo sequer. Lógico que houveram dias que não pude caminhar: um foi quando viajei pro CE (mas ainda assim caminhei sozinho na praia por, acho, que meia hora) e outro foi no dia da eleição (no primeiro turno eu realmente não fui, mas no segundo turno caminhei na passeata após a vitória do Lula). Possivelmente, faltarei nos dois próximos domingos desse mês, pois serei colaborador do Enem. O fato é que já me acostumei. E hoje eu pude sentir o peso que é faltar de um compromisso meu.

Agora à tarde tive meio que um bate-papo com o Jeferson Vieiros por vídeo chamada. Ele me convidou antes mesmo de eu criar meu podcast, pra participar do dele. Aceitei, mesmo com vergonha, mas sinto que agora estou um pouco mais seguro. Estávamos tentando criar uma pauta sobre o assunto, já que iremos gravar amanhã e, um pouquinho depois das 16h30 comecei a me despedir, pois queria caminhar. Assim que falei que iria caminhar, começou a chover. Com o papo bom, desisti de caminhar e fiquei ali ainda com ele. Um pouquinho antes de 17h ele encerrou a chamada, olhei pro céu e fiquei pensativo. 🤔

Do lado direito do céu haviam e passavam as nuvens cinzas; do lado esquerdo, sentido de onde eu iria caminhar, ainda que nublado, o céu estava limpo e sem indícios nenhum de chuva. Fiquei naquela de vou ou não vou e resolvi não ir. Por algumas vezes, até fui ao quintal de casa observar se havia algum vento no sentido da direita, mas, nada.

Resultado: não fui! ☹️

Até agora, por isso, estou me sentindo triste, sabe. É como se eu tivesse perdido essa melhor oportunidade. Por vezes fiquei imaginando indo em direção a minha escola e sentindo aquele cheiro gostoso de chuva. Não tinha sol, por isso que tenho certeza que a caminhada valeria a pena.

Estou tentando buscar um motivo pra não ter dado certo e eis que me veio na cabeça Deus. Estou me confortando até então de que foi Ele que quis me livrar de ver ou acontecer algo. Com isso, tento anular essa tristeza que sinto aqui.

Só queria desabafar isso mesmo, sei que o post foi besta e sem nenhuma relevância - como muitos outros aqui -, mas ok.

Obrigado! 😊

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

AMOR NÃO TESTADO

Essa é a história de um amor que poderia ter sido e não foi. E não foi. Amor em teoria, não experimentado, não vivido e sentido pele adentro e nunca soprado boca afora.

Já não me reconheço nos vultos do passado, no abraço, no cheiro e no beijo emprestado que não me pertenceu. Não me pertenceu!

Eu não soube dar o teu lugar e você não teve força pra se apropriar do que já era seu. Era pra ser seu.

Ouço desfecho estridente do insistente passado de nós dois. De nós dois. Na frágil tentativa de um último suspiro de atino, murmúro sopra o vento, o adeus sufocado na garganta.

Como se apaga uma história assim? Com começo, sem meio, fardado ao fim. Latente nessa dança de amor não testado abreviado em mim.

Ronny Oliveira

sábado, 10 de setembro de 2022

COVARDE

A palavra "covarde", que vive fazendo total sentido pra/de mim, surgiu há alguns meses quando tive uma conversa com o André. Nessa conversa, entre várias opções para uma tomada de decisão, ele gostaria que eu não fosse covarde em uma situação específica. No contexto, ser covarde seria abandonar uma situação ou até mesmo não ter uma conversa a respeito e, quem sabe, até colocar um ponto final... E depois dessa conversa, percebi que eu sou, sim, covarde. Depois de pouco mais de um mês, abandonei a situação e me distanciei. 🙁

Com o intuito de não querer sofrer, INFELIZMENTE, me distancio de problemas e de situações que podem até, por um lado, me fazer bem, mas no fundo me deixa mal. Controlo tudo que acontece comigo e sei que esse poder eu deveria deixar mesmo pra Deus. Peço a Ele paciência e que me dê um sinal para que eu não seja mesmo um trouxa. Enquanto não recebo, simplesmente me isolo. Sei que do outro lado uma interrogação surge, assim como um "esse menino deve ser louco", em relação a mim.

Sem mentira nenhum, parece que eu acordei de um sonho, sabe, ou até mesmo de um pesadelo que começou bem, mas que depois foi indo pra um lado ruim. Antes que eu acordasse morto ou sofrendo, abro os olhos e tento seguir o caminho. Sofro, choro e fico me perguntando do porquê eu ser assim, não sei explicar e nem me explicar... Só Deus pra me salvar. 🥺

Enquanto eu poderia resolver tudo, colocar, se for o caso, um ponto final, eu deixo tudo em reticências. Essa é a segunda vez que faço isso e o sofrimento da primeira vez que fiz paira até hoje. Inclusive, na última noite, tive um sonho sabendo de algo que eu sequer perguntei. E me deu, no sonho, como se fosse na vida real. Hoje, achando ficaria mal por conta do que soube nesse sonho, me entupi de trabalho pra tentar não ficar lembrando. E, para a minha surpresa, só vim lembrar desse sonho agora. Ele, graças a Deus, não me atingiu em nenhum momento do meu dia.

Mas o meu medo mesmo é uma hora, pela minha lerdeza e deixar as coisas acontecerem, a distância se tornar real, chegando ao ponto de nos tornamos desconhecidos. Preciso resolver todos os meus problemas e preciso de ajuda pra colocar tudo como metas.

Deus, me ajuda a não sofrer assim, por favor! Que eu mude esse caminho, essa linha...
Ronny Oliveira
🙏🏻

sábado, 23 de julho de 2022

QUEM PROCURA ACHA! (?)

E é com esse título que começo a digitar enquanto estou sozinho. ☹️

Não tenho na verdade o que explicar, mas eu teria que jogar de alguma forma esse desabafo pra fora. Há meses que ando procurando algo que sei que se eu achasse não ia me fazer bem... E num é que hoje pela manhã eu achei. Fico me perguntando: como é que eu vou procurar algo que eu sei que não vai me fazer bem, minha gente? E lá foi eu, como se fosse cometer um crime, de forma silenciosa, para o começo da minha tortura.

Sabendo que não sei não demostrar tal reação, fiquei o dia com o semblante triste e usei a desculpa de dor de cabeça e fome pra poder me safar dos questionamentos que poderiam surgir.

Estou muito pensativo sobre e, para que eu não haja com a cabeça quente, preferi, mesmo com toda dificuldade, me manter zen ou fingir que nada aconteceu. Odeio me pressionar a ser alguém que não sou, já que toda vida fui assim, mas de hoje até segunda-feira tenho que tentar disfarçar o máximo essa minha tristeza.

Sei que na segunda quando voltar a realidade vou deixar esse choro acumulado cair e, com certeza, criarei noias na minha cabeça até descobrir a real verdade. Eu sei, também não sou santo e fiz o mesmo, mas, sei lá, não quero ficar com esse pensamento egoísta agora.

Mais uma vez, acho que vai ter um fim. O "pra sempre" nunca vai acontecer comigo.
Ronny Oliveira
💔

quinta-feira, 7 de julho de 2022

NÃO SUPERO

Vou parar de começar a fazer post dizendo que vou ser breve, porque sou bem intenso nos detalhes e nas situações que venho fazer registro aqui, e acabo sempre terminando em textão.

Na verdade, eu só queria mais uma vez encontrar um meio para desabafar. A minha preguiça de abrir o diário, pegar uma caneta e começar a escrever é grande. Como aqui é um dos meios que uso para desabafos, por que não?

Então, dois dias atrás comecei a me reafirmar o quanto eu sou louco ou demoro muito para superar as coisas. Eu achava que superar relacionamentos era ruim, até estar nessa situação e perceber que é muito pior do que imaginava. Já se passaram uns três anos e ainda não consegui entender o meu coração. Tem horas que o meu olhar vai direto em direção ao seu caminho ou o pensamento vai certeiro de "se estivesse aqui?" e outras vezes luto contra isso e tento cortar caminhos ou não verificar mais os carros brancos.

Do nada, em meio a 360 graus, meu olhar vai diretinho a sua direção, é incrível essa precisão ou conexão, sei lá... e depois disso não consigo mais controlar. É como se eu estivesse querendo ver o que não é pra eu ver, ou, sei lá, maquinar mil coisas na cabeça e sofrer. Às vezes é querer saber como está fisicamente ou com quem anda. Tem dias que o meu controle é bem maior e minha caminhada é feita apenas com olhar em direção ao chão. Não quero ser vigia de ninguém, muito menos indiscreto.

Até quando vai ser assim? Penso que só serei totalmente livre desse sentimento quando eu externar a verdade. 🙁
Aécio Martins